CANAL DA AÇÃO CULTURAL

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terça-feira, 3 de março de 2015

A melhor roda de danças circulares dos últimos anos..Junte-se a nós na Roda do mês de Abril de 2015.





Para saber mais....

Disputando lógicas e narrativas com as danças circulares dos povos..




SEMINÁRIO POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A ÁREA DA CULTURA


Durante os dias 05 e 06 de março, a Secult estará realizando o Seminário de Cultura, no auditório Terra Caída, do Centro de Convenções de Sergipe.
O Seminário tem como objetivo discutir a conclusão da Minuta da Lei Orgânica da Cultura, do Sistema Estadual (de Museus e Bibliotecas), revisão da Lei da Funcart, além da elaboração de um cronograma de ações para a gestão da Cultura no Estado.
É importante a participação de todos!
Saiba mais em: http://zip.net/bjqSYj



PROGRAMAÇÃO


Dia 05 de Março de 2015

9 horas:         Abertura Oficial (Elber Batalha, Secretário de Estado da Cultura).
10 horas:       Mesa: Direitos Culturais e Políticas Públicas
Participantes:
Ronivon Aragão (Juiz Federal)
Lívia Tinoco (Ministério Público Federal)
Artur Cezar Azevedo Borba (Procurador Estadual)
Adriana Ribeiro Oliveira (Ministério Público Estadual)
Carlos Pina (Tribunal de Contas)
Mediação: Irineu Fontes e Mário Britto.

13 horas:       Pausa para o almoço 

14 horas:Apresentação da Proposta da Lei Orgânica de Sergipe(síntese)

14:30 horas  Mesa: Marcos Legais da Cultura
                        Participantes:
Irineu Fontes (SECULT/SE)
Péricles Andrade (UFS)
Tiara Camera (SECULT/SE)
                      Mediação: Lindolfo Amaral

Dia 06 de Março de 2015

9 horas          Mesa: Os Desafios da Institucionalização da Cultura
                        Participantes:
Lula Oliveira (Representação MinC Regional Bahia/Sergipe)
Evaristo Nunes (Sistema de Indicadores Culturais)
Mediação: Celiene Lima

Play List Valeu Mujica!!





No dia 28 de fevereiro, em Montevidéu, haverá uma grande festa com participação de Gil, Caetano, Calle 13 e outros grandes artistas latino-americanos em homenagem a uma das mais queridas e admiradas pessoas da política atual.


O presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, sairá de cena para dar lugar a seu sucessor Tabaré Vázquez, que assume o governo uruguaio em 1º de março.
Em meio ao descontentamento e descrédito generalizados das populações do planeta em relação a seus representantes políticos, num mundo onde o poder econômico oprime e tolhe cada vez mais a arte da política, Mujica trouxe alento a todos aqueles que defendem outro mundo possível.
Valeu Mujica!

Ouça  AQUI 

Salve Pepe!!! - Mujica deixa legado de combate à pobreza e simbologia do cidadão comum

Entrevista

Para professor, o presidente do Uruguai, que deixa o cargo hoje (1º), é exceção entre governantes da região: 'É o único que não é demonizado pela grande mídia latino-americana nem odiado pela direita'
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 01/03/2015 10:11, última modificação 01/03/2015 11:00
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Nos cinco anos de governo Mujica houve estabilidade econômica e prioridade a programas sociais que reduziram a pobreza e a falta de moradia (Andrés Cristaldo/efe)

São Paulo – A partir deste domingo (1º), o ex-presidente Tabaré Vázquez voltará a ser o mandatário do Uruguai. Reeleito no ano passado, ele entrará no lugar de José "Pepe Mujica", seu sucessor em 2010. A chapa da Frente Ampla, que ambos integram, foi eleita em segundo turno e garantiu um terceiro governo sucessivo de esquerda no pequeno país da América do Sul, com pouco mais de 3 milhões de habitantes.



Avesso a formalidades, Mujica tornou-se uma espécie de celebridade por seu comportamento inusitado, ao 

senso comum, em relação a praticamente todos os governantes. Também chamou a atenção por apresentar propostas polêmicas no campo do comportamento. Para o professor Wagner Iglecias – de Gestão de Políticas Públicas na Escola de Artes, Ciências e Humanidades e do programa de pós-graduação em Integração da América Latina –, da USP, as propostas liberais não são a marca da gestão do governante uruguaio. Ele acredita que o legado de Mujica está no combate à pobreza e no que ele chama de "simbologia do cidadão comum", pelo desapego ao poder.

O presidente uruguaio se destaca entre outros líderes populares do continente. De alguma maneira, conseguiu escapar da fúria que a mídia exibe contra alguns governantes. "É o único que não é demonizado pela grande mídia latino-americana nem odiado pela direita", diz Iglecias. "É difícil não gostar de Mujica."
Sobre Tabaré, o professor acredita na implementação de políticas de distribuição de renda e aumento tributação aos mais ricos. A defesa da integração do continente deve ser mantida, possivelmente com menos ímpeto e combatida pela direita (em todos os países), pouco entusiasta por projetos autônomos de desenvolvimento.

O Uruguai talvez seja uma exceção em um momento turbulento na América Latina, com os governistas progressistas, incluindo o Brasil, em situação delicada. Às voltas com uma pressão que nada tem a ver com o alegado propósito de combate à corrupção. "Trata-se, na visão dos opositores destes governos, de recolocar a América Latina na posição em relação ao mundo que ela teve desde o século 16", afirma Iglecias, que teme uma volta da onda neoliberal dos anos 1990.

Qual o legado de Mujica? Ele, de fato, pôs o Uruguai no mapa mundial, principalmente com propostas relacionadas a comportamento social?

O Uruguai é um país muito pequeno, tanto em termos demográficos como econômicos. Não creio que as propostas defendidas pelo governo Mujica, como o reconhecimento legal da união homoafetiva, do direito da mulher sobre seu corpo, no caso do aborto, e do consumo da maconha, sejam bandeiras suficientes para ter colocado o país no mapa mundial. Acho que se for este o critério, Ghiggia e Schiaffino, que marcaram os gols na final da Copa do Mundo de 1950 (contra o Brasil, no Maracanã), foram talvez até mais importantes para tornar o Uruguai mais conhecido em outras partes do mundo. E de mais a mais essas bandeiras abraçadas pelo governo Mujica são bandeiras liberais, ligadas aos direitos civis e adotadas em outros países há mais tempo. O legado do governo Mujica foi o combate à pobreza e a simbologia que ele conseguiu transmitir, a do cidadão comum que chega à presidência de seu país e continua sendo exatamente isso, um cidadão comum, sem se deixar levar pela vaidade nem se apegar às delícias do poder, como é tão corriqueiro em tantas partes do mundo e com tantos governantes.

Ambos são representantes da Frente Ampla, mas isso não representa um alinhamento automático. Houve divergências públicas entre eles durante a campanha eleitoral. Como diferenciá-los em termos de prática política, e o que esperar deste novo mandato de Tabaré?

A Frente Ampla, como diz o próprio nome, e como é comum a qualquer partido, tem diversas correntes, e portanto pessoas que têm posições diferentes e divergentes sobre inúmeros assuntos. No caso de Tabaré e Mujica não é diferente. A questão da legalização do aborto, por exemplo, é apenas um exemplo das posições diferentes que cada um tem. Sobre o mandato de Tabaré, creio que se pode esperar empenho em medidas distributivistas, com alívio de carga tributária para os mais pobres e aumento da tributação aos mais ricos, especialmente os detentores de grandes fazendas. Também espera-se a criação de um sistema nacional de saúde e assistência social mais moderno e abrangente e o reforço a iniciativas que visem a elucidar e, na medida do possível, reparar os crimes de Estado cometidos na época da ditadura militar que o país viveu, entre as décadas de 1970 e 1980.

As políticas de integração do continente continuarão sendo valorizadas, apesar da pressão contrária?

Creio que se depender do Uruguai, sim. Embora pense que Tabaré talvez não seja tão entusiasta destas políticas como foi Mujica enquanto presidente. Mas independente da posição do governo uruguaio, podemos esperar para o curto prazo pressões contrárias à integração que vão se tornar cada vez maiores. Tanto por parte de potências estrangeiras quanto por parte da direita interna a cada país. Que no fim das contas é toda ela muito parecida, nunca acreditou num projeto autônomo de desenvolvimento e acha, não sei se por ideologia ou outros motivos, que a adesão subordinada às grandes potências é o caminho único para a nossa região.

Em artigo recente, o sr. perguntava que fim haviam levado os líderes latino-americanos dos anos 1990: Menem, Salinas, Fujimori, FHC, entre outros. Era o auge do conceito neoliberal, com as propostas de desregulamentar a economia, privatizar, reduzir o papel do Estado. Em que momento a onda começou a virar?

A onda começou a virar, favoravelmente a alternativas políticas mais progressistas, na hora em que a população percebeu o completo fracasso social daqueles governos neoliberais: fome, desemprego, exclusão social em larga escala nos setores populares e prejuízos até para outros segmentos sociais, como as classes médias, que se empobreceram em vários dos nossos países durante os anos 1990. No entanto, o momento atual da América Latina é preocupante, especialmente em termos de crescimento econômico, e uma nova onda pode virar. E provavelmente em direção, de novo, aos fundamentalistas do neoliberalismo que governaram a região 20 anos atrás.

Mesmo os governos progressistas parecem não ter escapado do domínio e da influência do mercado financeiro. Faltaram alternativas?

Há como escapar? A economia hoje é globalizada, os mercados financeiros e a especulação em sentido mais amplo têm de fato muito poder. Não só econômico, capaz muitas vezes de fazer vergar um país e impor perdas enormes à maioria de sua população. Mas também poder político, financiando partidos, indicando ministros. As alternativas têm sido tentadas, e a resistência interposta a essas forças tão poderosas por governos como os de Mujica, Chávez, Evo etc. são exemplos disso.

Nesse sentido, qual o simbolismo de um líder como Mujica, que dispensava formalidades do cargo, continuou a viver na mesma chácara e recusou-se a vender seu Fusca por uma fortuna? Ele chegou a dizer que era preciso retirar da política "todos os que gostam muito de dinheiro". Utópico?

Não é utópico. Mas é possível de fazer num país pequeno e distante dos grandes centros do poder mundial como é o Uruguai. Não sei se um presidente brasileiro teria condições de abrir mão do Palácio do Alvorada e ir morar num sítio em alguma cidade-satélite do Distrito Federal. Acho que mais do que dispensar os rapapés do cargo, o que Mujica deixa como legado é a ideia de que é possível você ser um cidadão, um militante, ir ao poder e depois voltar à sua condição anterior, de uma pessoa como todas as outras. Nesse sentido ele dessacralizou o poder. Alguns outros líderes latino-americanos do mesmo período também dessacralizaram, cada qual a seu modo, usando a linguagem do povo, ou o humor, ou metáforas de fácil assimilação, por exemplo. Mas de fato Mujica, neste aspecto, foi além de todos eles. É difícil não gostar de Mujica. Tanto é que, de todos os líderes esquerdistas da região (Lula, Chávez, Evo, Correa, Cristina, etc.), é o único que não é demonizado pela grande mídia latino-americana nem odiado pela direita.

Mujica pode ter ajudado a fazer com que as pessoas vissem de outra forma os políticos, uma classe tão desprestigiada?
Sem dúvida. Pelos motivos que citamos. Mas acho que ele ajudou mais a alimentar a frustração que as pessoas têm em relação a seus representantes, quase sempre tão comprometidos com interesses duvidosos, apegados ao que chamei de “delícias do poder” e ostentando um ego super insuflado.

Que importância terá Mujica no Senado, na sustentação dos projetos do governo?

Para além da figura mítica, Mujica é um experiente articulador político. Ainda que tenha divergências em relação a algumas questões em relação a Tabaré, será alguém importante para ajudá-lo, desde o Parlamento, a governar e consolidar avanços que o país teve desde 2005, quando a Frente Ampla chegou ao poder. E não me parece que Pepe, por ser a figura fraterna que é e por ter uma dimensão muito aguçada das delicadas e complexas questões que estão em jogo não só para o Uruguai mas como para a América Latina neste momento, vá querer competir com Tabaré desde o Senado ou prejudicar de alguma forma a sua presidência.

Pode-se dizer que a região hoje tem uma predominância de governos ditos progressistas/populares, com tendências de esquerda (embora alguns contestem essa visão). Alguns governantes atuaram na resistência à ditadura em seus países. O sr. vê alguma ameaça a essa hegemonia no futuro próximo? No Brasil, por exemplo, há setores se movimentando pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff. E a Venezuela vive um período turbulento.

Vejo. A ameaça é enorme. Todo governo e todo projeto de poder em algum momento enfrenta seus limites. Exceções talvez da Bolívia e do Uruguai, e em menor medida do Equador, os governos progressistas da região estão em situação delicada. Enfrentam com dificuldade crescente opositores internos e externos. As razões, acho, são as de sempre, e não têm absolutamente nada a ver com corrupção: trata-se, na visão dos opositores destes governos, de recolocar a América Latina na posição em relação ao mundo que ela teve desde o século 16.

A geração atual de governantes terá uma acolhida histórica melhor que a imediatamente anterior?

Não só terá como já teve. As reeleições de Lula, Chávez, Evo, Correa e tantos outros mostram o reconhecimento da massa da população em relação a lideranças que, com todos os seus erros e suas limitações, pela primeira vez governaram invertendo prioridades e ampliando direitos a quem historicamente foi marginalizado. Não foram os primeiros que tentaram, tivemos outros governos na América Latina em décadas passadas que também buscaram dar mais atenção aos mais pobres. No entanto, estes governos não tiveram condições políticas de se manter no poder, e muito menos de reeleger-se e fazer perdurar um projeto mais distributivista.


Todos os corruptos serão castigados? Lembrando o filme "Toda nudez será castigada"


da carta maior

Impeachment S.A.: negócio lucrativo quer varrer corrupção para baixo do tapete

Quem for às ruas no dia 15 vai estar vomitando seu ódio com o patrocínio de empresas e políticos que querem tirar o foco da lista de políticos da Lava Jato 
por Antonio Lassance publicado 02/03/2015 20:07, última modificação 02/03/2015 20:10
Marcelo Camargo/Folhapress
Nariz de palhaço
Quanto mais impeachment se torna um oba-oba, do tipo "atrás do trio elétrico...", melhor para o negócio
Impeachment S.A.: uma empresa de capital aberto e mente fechada. Que ninguém se engane ou se faça de desavisado. As organizações Impeachment S.A. – uma sociedade mais ou menos anônima – está aí não só para promover eventos, mas, sobretudo, para se capitalizar.

Quem quiser ir às ruas no dia 15, com nariz de palhaço e cartazes pró-impeachment, vai estar batendo o bumbo e vomitando seu ódio com o patrocínio de empresas e políticos que querem bombar o desgaste de um governo por razões nada republicanas.

Algumas das organizações mais ativas na mobilização das manifestações do dia 15 de março são um negócio patrocinado pela oposição partidária e empresarial, com os préstimos sempre valiosos do cartel midiático, que dá uma boa força para a sua divulgação.

Tal e qual nos bons tempos do golpismo dos anos 1950 e 1960, trabalhar pela derrubada de um governo é, em parte, ideologia, mas tem seu lado 'business'. Dá dinheiro.

Os grupos que organizam os protestos e clamam pelo impeachment começam como rede social, mas crescem com apoio partidário e empresarial.

Nenhum desses grupos deixa de pedir, publicamente, recursos para financiar seu 'trabalho' – seria melhor dizerem 'seu negócio'. Até aí, nada de mais.

Porém, o grosso das contribuições que algumas dessas pessoas recebem não são públicas e nem de pessoas que dão 5, 10, 100 reais. Hoje, a maior parte da grana que rola em prol do impeachment de Dilma tem outra origem.

Empresários em pelo menos três estados (São Paulo, Pernambuco e Paraná) relatam ter recebido telefonemas pedindo dinheiro para a organização dos atos do dia 15. A fonte da informação são advogados consultados para saber da legalidade da doação e possíveis implicações jurídicas para as empresas.

Em um dos casos, o pedido não foi feito diretamente por alguém ligado aos perfis de redes sociais que convocam o ato, mas por um deputado de oposição, com o seguinte argumento: "Precisamos ajudar esse pessoal que está se mobilizando para tirar esses vagabundos do poder".

O curioso é que o deputado oposicionista faz parte do seleto grupo de parlamentares que teve o privilégio de contar, entre seus financiadores de campanha, com empresas citadas na Lava Jato. Portanto, pelo critério da Impeachment S.A., o deputado amigo é, de fato, um honorável vagabundo.

É bom lembrar que quase a metade dos nomes da famigerada lista do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, estava ligada às campanhas de Aécio ou Marina Silva

As empreiteiras pegas na Operação Lava Jato doaram quase meio bilhão de reais aos políticos e aos partidos com as maiores bancadas no Congresso, o que inclui os de oposição, como PSDB e DEM. Será que alguém vai se lembrar disso no dia 15?
Como o negócio funciona e prospera

A Impeachment S.A. virou franquia. Uma pessoa ou um pequeno grupo monta um perfil, sai à cata de adesões e seguidores e cria memes para serem espalhadas na rede. Com alguma sorte, essa 'produção' se torna viral – pronto, a fórmula de sucesso deu resultado.
Os grupos que organizam o protesto do dia 15 são muitos. Cada estado tem um ativista ou grupo de maior proeminência. Eles hoje disputam o mercado do protesto de forma cada vez mais empresarial. Com naturalidade, eles são absolutamente francos em dizer que o capitalismo é seu sonho de consumo. Qualquer maneira de ganhar dinheiro vale a pena.

Dependendo da força de adesão de cada perfil, o criador usa sua lista de seguidores, com ou sem nariz de palhaço, como portfólio para negociar patrocínio privado.

Quanto mais o impeachment se tornar um oba-oba, do tipo "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu", tanto melhor para o negócio de derrubar a presidenta.

A busca de um mercado do protesto veio a partir do momento em que esses mascates do impeachment bateram às portas dos partidos, como o PSDB, o DEM e o PPS.
Pelo menos no caso de Pernambuco, houve tentativas também junto ao PSB, cujo ex-candidato à presidência, Eduardo Campos, também consta citado da delação de Paulo Roberto Costa. O PSB hoje abriga, entre outros, 'socialistas' da estirpe do antigo PFL, como os renomados Heráclito Fortes (PI) e Paulo Bornhausen (SC).

Alguns dos ativistas da Impeachment S.A., de espírito empreendedor mais aguçado, pegaram a lista de financiadores de campanhas de políticos da oposição com os quais mantêm contato e foram pedir ajuda para conseguir abrir portas em empresas dispostas a financiar a campanha do impeachment.

Os políticos tucanos, ao que parece, têm sido os mais empenhados em redirecionar os pedidos de patrocínio privado para o universo das empresas.

Publicamente, só para variar, os tucanos definiram, com o perdão ao vocábulo 'definir', que apoiam o ato pró-impeachment, mas são contra o impeachment. Hein? Precisamos de pelo menos uns dois minutos para entender o raciocínio e pegar algum tucano pelo colarinho branco, escondido atrás de mais esse muro.

Os tucanos querem o protesto, torcem pelo protesto, ajudam a patrocinar o protesto, mas fingem que não têm nada a ver com isso. Faz sentido – e ainda tem gente que acredita que eles realmente não trabalham pelo impeachment.

Por que 15 de março?
A própria data do protesto foi calculada politicamente, pela Impeachment S.A., com um propósito evidente.

O alvo do protesto é a presidenta Dilma Rousseff, convenhamos, justamente no mês em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, divulgará a lista dos políticos envolvidos no escândalo. Mais exatamente, na semana seguinte àquela em que a lista de políticos será tornada pública.

Os revoltontos do dia 15 pedirão o impeachment de Dilma, que sequer aparece citada na Lava Jato. Será que vão pedir também o impeachment do senador Aécio Neves, cuja campanha recebeu doações das mesmas honoráveis empreiteiras, diretamente para o comitê de campanha desse candidato?

Vão pedir pelo menos o impeachment de Agripino Maia (DEM-RN), acusado de receber R$ 1 milhão em propina? Delator por delator, Agripino tem o seu e merece algum cartaz de algum revoltonto mais bem informado.

Irão pedir a apuração rigorosa e a prisão dos envolvidos com o trensalão tucano? Ou a falta d'água em São Paulo racionou também a memória e o senso de moral e ética dos que se dizem fartos – principalmente depois de seu repasto?

Irão eles pedir o impeachment dos parlamentares do PMDB? Eles fazem parte do segundo maior partido da Câmara, o primeiro no Senado, e seriam decisivos para a chance de impeachment. Só que, por coincidência, estão entre os preferidos das empreiteiras na hora de financiar campanhas.

Os revoltontos do dia 15 ainda não pararam para pensar que querem um impeachment de Dilma a ser feito por um Congresso cujo financiamento de campanha desenfreado deixa a maioria de seus parlamentares abaixo de qualquer suspeita – se for para generalizar o 'argumento' de quem vê Dilma como uma inimiga a ser banida.

Serão esses, de fato, os que podem abrir a boca para falar em afastar a presidenta eleita? Estranho. Não deveriam ser eles os primeiros alvos de cassação?

Quem promove a campanha pelo impeachment está dando sua contribuição voluntária ou patrocinada para tirar o foco dos corruptos que de fato têm nome no cartório da Lava Jato – o que não é o caso da presidenta.

Seria melhor, antes de falarem em impeachment de uma presidenta eleita pelo voto de 54,5 milhões que os revoltontos do dia 15 esperassem a lista de Janot e a usassem para escrever seus cartazes.

Por que não o fazem? Talvez por que isso não seja lá um bom negócio.

domingo, 1 de março de 2015

Play list "Rio eu gosto de você" - 450 anos de aniversário.
















Em aniversário a gente costuma presentear, né? Pois hoje, nos 450 anos do Rio, devemos dar um presente à nossa cidade de tantas bençãos naturais. Há mil maneiras de fazê-lo. Não precisa ter grana, basta boa vontade: regar uma planta, plantar uma árvore, recolher lixo do chão, ter hábitos mais moderados de consumo (sobretudo com a preciosa água), dar bom dia a quem passa, resgatando o espírito de vizinhança (nada de 'cada um no seu quadrado'), exercer com plenitude sua cidadania crítica, tendo consciência dos direitos sociais. O Rio é mais, quando a gente entende e VIVE cidade como coletivo de cidadão!
450 anos de São Sebastião do Rio de Janeiro, cidade que já começou com luta entre portugueses e franceses, usando os nativos como 'bucha de canhão'. Sítio lindo, único no mundo, mas também marcado pela feiúra da exclusão e pelo não reconhecimento a quem ergueu a cidade: seus escravos, seu povo humilde e anônimo, sua gente trabalhadora que nos transporta, nos alimenta, nos dá o sustento cotidiano. Rio de contradições, da aspereza e da poesia da vida. Rio tão musical mas que, volta e meia, desafina. Estação primeira ou derradeira? Nossa batucada, nossa cidade! 

https://www.youtube.com/watch?v=OQJ3M9ZVsGM

 Chico Alencar

A melhor palavra para definir uma cidade é a dos versos. A melhor maneira de se cantar uma cidade é a canção. Com vocês, o mineiro Drummond, e as 'Saudades da Guanabara', de Aldir Blanc e Moacyr Luz:

RETRATO DE UMA CIDADE
I
Tem nome de rio esta cidade
onde brincam os rios de esconder.
Cidade feita de montanha
em casamento indissolúvel
com o mar.
Aqui
amanhece como em qualquer parte do mundo
mas vibra o sentimento
de que as coisas se amaram durante a noite.
As coisas se amaram. E despertam
mais jovens, com apetite de viver
os jogos de luz na espuma,
o topázio do sol na folhagem,
a irisação da hora
na areia desdobrada até o limite do olhar.
Formas adolescentes ou maduras
recortam-se em escultura de água borrifada.
Um riso claro, que vem de antes da Grécia
(vem do instinto)
coroa a sarabanda a beira-mar.
Repara, repara neste corpo
que é flor no ato de florir
entre barraca e prancha de surf,
luxuosamente flor, gratuitamente flor
ofertada à vista de quem passa
no ato de ver e não colher.
II
Eis que um frenesi ganha este povo,
risca o asfalto da avenida, fere o ar.
O Rio toma forma de sambista.
É puro carnaval, loucura mansa,
a reboar no canto de mil bocas,
de dez mil, de trinta mil, de cem mil bocas,
no ritual de entrega a um deus amigo,
deus veloz que passa e deixa
rastro de música no espaço
para o resto do ano.
E não se esgota o impulso da cidade
na festa colorida. Outra festa se estende
por todo o corpo ardente dos subúrbios
até o mármore e o fumé
de sofisticados, burgueses edifícios:
uma paixão:
a bola
o drible
o chute
o gol
no estádio-templo que celebra
os nervosos ofícios anuais
do Campeonato.
Cristo, uma estátua? Uma presença,
do alto, não dos astros,
mas do Corcovado, bem mais perto
da humana contingência,
preside ao viver geral, sem muito esforço,
pois é lei carioca
(ou destino carioca, tanto faz)
misturar tristeza, amor e som,
trabalho, piada, loteria
na mesma concha do momento
que é preciso lamber até a última
gota de mel e nervos, plenamente.
A sensualidade esvoaçante
em caminhos de sombra e ao dia claro
de colinas e angras,
no ar tropical infunde a essência
de redondas volúpias repartidas.
Em torno de mulher
o sistema de gesto e de vozes
vai-se tecendo. E vai-se definindo
a alma do Rio: vê mulher em tudo.
Na curva dos jardins, no talhe esbelto
do coqueiro, na torre circular,
no perfil do morto e no fluir da água,
mulher mulher mulher mulher mulher.
III
Cada cidade tem sua linguagem
nas dobras da linguagem transparente.
Pula
do cofre da gíria uma riqueza,
do Rio apenas, de mais nenhum Brasil.
Diamantes-minuto, palavras
cintilam por toda parte, num relâmpago,
e se apagam. Morre na rua a ondulação
do signo irônico.
Já outros vêm saltando em profusão.
Este Rio…
Este fingir que nada é sério, nada, nada,
e no fundo guardar o religioso
terror, sacro fervor
que vai de Ogum e Iemanjá ao Menino Jesus de Praga,
e no altar barroco ou no terreiro
consagra a mesma vela acesa,
a mesma rosa branca, a mesma palma
à Divindade longe.
Este Rio peralta!
Rio dengoso, erótico, fraterno,
aberto ao mundo, laranja
de cinqüenta sabores diferentes
(alguns amargos, por que não?),
laranja toda em chama, sumarenta
de amor.
Repara, repara nas nuvens; vão desatando
bandeiras de púrpura e violeta
sobre os montes e o mar.
Anoitece no Rio. A noite é luz sonhando.
Carlos Drummond de Andrade (1977)

https://www.youtube.com/watch?v=ZIr4L7_iE5o
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 Chico Alencar

Este domingo que chega junto com março bem que podia ter 'águas fechando o verão', como cantou um dos filhos diletos do Rio, nosso maestro soberano Tom Jobim.
Amanhã a cidade celebra 450 anos de sua fundação - de início, um acampamento militar para a conquista e colonização portuguesa. Rio de Janeiro, fevereiro, março, julho, dezembro... Sebastião também, imagem maltratada e bela, louvada na comovente prece/canção de Gil e Bituca.
https://www.youtube.com/watch?v=xUCJd1au5AM


sábado, 28 de fevereiro de 2015

Malucos de Estrada - parte II - Cultura de BR




 Os “malucos de estrada” são os protagonistas/atores sociais de uma expressão cultural brasileira que apresenta características singulares, comportando uma cosmovisão, práticas, estilos de vida, fazeres e saberes que conferem suas matizes características. No entanto, nos últimos quarenta anos sua existência tem sido folclorizada ou mesmo criminalizada pela sociedade e instituições públicas devido a sua invisibilidade e a falta de reconhecimento por parte dos gestores da cultura.

Em “Cultura de BR”, desfolclorizamos o “hippie” brasileiro e promovemos uma primeira abertura sobre alguns dos conceitos que norteiam a cultura da “malucada”. Pedras de maluco, mangueios, mocós, o sentimento de família, os códigos, a maluquês misturada com a lucidez, o sentido e a direção de uma busca libertária pela expressão genuína do ser interno que habita em cada um de nós.

Curtiu? Colabore com a continuidade desse projeto:



Algumas observações sobre o documentário "Malucos de Estrada II - Cultura de BR". Pois é, pra quem não percebeu, nossa trilogia vai começar pelo meio.
É um filme que existe por si só, mas, como parte de uma obra, seu entendimento se amplia no conjunto, logo, cuidado com conclusões precipitadas acerca do que será mostrado. Acreditamos que o vídeo suscite mais perguntas do quê respostas. Se ao terminar de assistir, essa for a principal impressão, cremos que cumprimos o nosso propósito.
Este vídeo poderia ter mil formas, mil narrativas. Isso se deve a diversidade do universo cultural da malucada e também a enorme quantidade de material registrado. Nosso intuito foi tentar conciliar os múltiplos interesses em jogo. Desde a necessidade de gerar um material que forneça subsidio para futuras pesquisas e um reconhecimento como manifestação cultural do movimento por parte da institucionalidade, passando pela importância da malucada se reconhecer no filme, pensamos também na expectativa dos colaboradores em assistir um bom filme e outras sutilezas que estão em jogo.
No mais, dois salves importantes:
1- Não tivemos como traduzir e legendar o vídeo. Vamos precisar de uma força colaborativa pra concluir essa parte, se você pode ajudar, entre em contato pelo e.mail belezadamargem@gmail.com .
2- Qualquer um pode produzir um lançamento do filme em sua cidade, cineclube, casa, praça. Atualmente o diretor Rafael Lage está em São Paulo e se dispõe a comparecer e realizar um bate papo com o público, caso seja convidado, mas infelizmente não temos como custear o transporte e estadia do mesmo para outras cidades.