CANAL DA AÇÃO CULTURAL

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terça-feira, 29 de abril de 2014

Como é bom produzir arte e cultura em Sergipe

Foto oficial com os representantes dos Pontos de Cultura e convidados presentes.
Sergipe realiza o Fórum Estadual dos Pontos de Cultura aguardando a realização da Teia Estadual.

O evento aconteceu em 29 de Fevereiro de 2014, no auditório da biblioteca pública Epifâneo Dória e teve como objetivo principal realizar a escolha dos delegados que representarão Sergipe na Teia Nacional, a ser realizada de 19 a 24 de maio, em Natal(RN), além da escolha dos novos integrantes que formarão a nova Comissão Estadual dos Pontos de Cultura.

De um total de 27 Pontos de Cultura existentes no Estado, participaram representantes de 14 Pontos. Os Pontos de Cultura, integram o programa Cultura Viva e dão continuidade as ações culturais de base comunitária já realizadas em diversas regiões do Estado de Sergipe , contando com o apoio do governo federal e estadual, conforme plano de trabalho apresentado e selecionado em concurso de seleção pública a partir do ano de 2010.

O Fórum teve inicio com a realização de uma mesa redonda, a qual contou com a participação de Pedro Vasconcelos, representando a Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MINC). Lula Oliveira, chefe da representação regional do Ministério da Cultura - Bahia e Sergipe. Cris Alves, dinamizadora da Rede Cultura e Saúde e Zezito de Oliveira, representando o Coletivo Pró Rede “Real” dos Pontos de Cultura de Sergipe.

A coordenação dos trabalhos ficou a cargo de Tiara Camera e Celiene Correia, assessoras técnicas da Secult e de Zezito de Oliveira, pelo Coletivo Pró Rede “real” dos Pontos de Cultura de Sergipe

Clique aqui e aqui, para saber mais sobre a Teia Nacional
 

 REDESENHO DO PROGRAMA CULTURA VIVA

O destaque inicial da fala de Pedro Vasconcelos tratou do redesenho do programa Cultura Viva, disponível no site do MINC, realizado no ano de 2012 sob a responsabilidade do IPEA e os avanços operacionais que resultou desse trabalho. Como uma das consequências, foi promulgada a portaria 118/2013 que incorpora a maioria das sugestões do redesenho.

Segundo Pedro Vasconcelos o objetivo do redesenho, foi desburocratizar e desengessar os aspectos ligados ao repasse de recursos financeiros e outras questões do campo da burocracia, nesta perspectiva o redesenho foi realizado no sentido de apoiar a gestão e não para reformular os conceitos ou a filosofia do programa Cultura Viva, formulados em 2004 e, ainda considerados exemplares e pertinentes, sobretudo, porque trata-se do primeiro programa de politicas públicas de cultura concebido no âmbito do governo federal como politica de inclusão e de base comunitária, um programa que pode ser o equivalente na área da cultura, ao significado do programa bolsa família, no campo das politicas de assistência e de promoção social.

Os problemas de gestão foram/são decorrentes da não compatibilização do conceito do programa Cultura Viva com o marco legal e os trâmites burocráticos existentes.

Os principais aspectos relativos as mudanças de operacionalização do programa, refere-se a utilização do repasse de recursos financeiros por meio de editais de premiação, além da possibilidade de pessoas físicas se inscrever e concorrerem aos prêmios.

Para garantir a sustentação legal das mudanças que estão sendo implementadas, foi aprovada na câmara e está em fase final de aprovação no senado a Lei Cultura Viva, outro instrumento legal necessário, é o marco legal das organizações da sociedade civil que está em tramitação no congresso nacional.

Estas duas legislações, se configuram como as mais adequadas para a relação governo e sociedade civil, sob o ponto de vista da incorporação de milhares de agentes e produtores da cultura, ao circulo virtuoso em prol do desenvolvimento humano, social, econômico e politico das camadas mais pobres e excluídas do acesso a nossa diversidade cultural, seja no campo da produção, como da fruição.

Com a aprovação da Lei Cultura Viva, o programa passa a se constituir em politica de estado integrando o Sistema Nacional de Cultura e deixa de ser apenas, um programa do governo federal.

Outra tendência para um futuro próximo, será o lançamento de editais estaduais com a participação financeira do MINC. Também nos próximos editais, serão realizadas chamadas para a escolha de Pontões de Cultura, visando melhorar a articulação e qualificação dos Pontos de Cultura, além da provisão de recursos para as Teias dentro dos planos de trabalho, o que facilitará a realização deste tão importante momento de articulação politica, capacitação e visibilidade da produção artística e cultural realizada pelos Pontos de Cultura.

UM MOMENTO HISTÓRICO NA RELAÇÃO DOS PONTOS DE CULTURA DE SERGIPE COM O MINC

A fala de Lula de Oliveira, chefe da representação regional do MINC - Bahia e Sergipe, foi iniciada com a manifestação de satisfação pelo fato do Fórum ser o primeiro espaço de uma escuta representativa das realizações e necessidades dos Pontos de Cultura existentes no Estado de Sergipe. Este momento é especial e privilegiado porque a representação regional tem a missão de servir como ponte entre a sociedade civil e o Ministério da Cultura.
Lula de Oliveira complementou a primeira parte de sua fala, afirmando que a vida cultural tem uma velocidade e o estado tem outra. É importante diminuir esta distância.

Neste momento, Jaquelene Linhares, representando o Ponto de Cultura Axé Ô, perguntou acerca da possibilidade de instalação de um escritório da representação regional do MINC em Sergipe, Lula de Oliveira informou que em caráter imediato é pouco provável, o que não impede que esse desejo seja formalizado por parte da sociedade civil.

REDE CULTURA E SAÚDE - CONTRIBUIÇÃO RUMO A SOCIEDADE DO BEM VIVER (Resumo da fala de Cris Alves)

O convênio de Cooperação Técnica entre o Ministério da Cultura e a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) tem como objetivo o fortalecimento das Redes do Programa Cultura Viva com foco na diversidade cultural e sua articulação com a promoção da saúde.

As Representações Regionais do Ministério da Cultura são portanto parceiras na execução do programa Rede Cultura e Saúde.
 
É nosso papel identificar os atores sociais, as práticas integrativas, a geração de produtos e instituições de promoção e sua relação com as práticas de cultura no âmbito da cura. Além disso, incentivar a produção de conteúdos promovendo uma interlocução com os atores sociais e sua articulação em redes.

As ações da Rede Cultura e Saúde estão estruturadas em cinco eixos temáticos de atuação:

1) Construção do Conhecimento, mapeamento e investigação; 2) Educação; 3) Mobilização, articulação e advocacy; 4) Informação e Comunicação; 5) Registro e Memória.

DESCRIÇÃO DOS EIXOS/ AÇÕES ESTRATÉGICAS

EIXO/AÇÃO 1 - Construção de Conhecimento, Mapeamento e Investigação.

Ações de mapeamento de atores, práticas, produtos e instituições na área de saúde e cultura; de sistematização das ações realizadas pela rede; de monitoramento do funcionamento da rede e das ações de seus membros; de avaliação das experiências implementadas e de estudos e pesquisas que fortaleçam com evidências, reflexões e experimentação metodológica os campos situados na interface saúde e cultura.

EIXO/AÇÃO 2 – Educação

Ações educativas voltadas para promoção de saúde e cultura, (formais ou não, presenciais ou a distancia, continuada ou parte da formação inicial dos profissionais); de produção e compartilhamento de materiais que tenham objetivos educativos e que estejam no campo da investigação da relação entre saúde e cultura, sejam eles artísticos, científicos, tecnológicos, pedagógicos, utilizando linguagens e meios variados.

EIXO/AÇÃO 3 – Mobilização, articulação e advocacy

O eixo prevê a participação e/ou apoio da Rede Saúde e Cultura em eventos e espaços diversos, e a sua mobilização em torno de pautas propostas, atuando no sentido de defender princípios e temas julgados como pertinentes pelos atores envolvidos para o fortalecimento da diversidade cultural na promoção da saúde.

Agrega ações de interlocução entre redes, promovendo a reciprocidade de participação e colaboração entre a Rede Saúde e Cultura e as demais, como por exemplo, com a Rede de Educação Popular em Saúde, as Redes do Programa Cultura Viva, a Rede dos Museus de História de Medicina, a Rede Brasileira de História e Patrimônio Cultural da Saúde, Rede de Bibliotecas Virtuais em Saúde, entre outras, dinamizando e articulando o Sistema Único de Saúde e o Sistema Nacional de Cultura.

EIXO/AÇÃO 4 – Informação e comunicação

Ações com o objetivo favorecer o compartilhamento e a produção de conteúdos entre os atores, bem como a comunicação com foco na educação, na mobilização, na reflexão, na articulação. Fazem parte os recursos de tecnologia da informação como a plataforma web da Rede Saúde e Cultura, o Facebook, o Twitter e os grupos de e-mails.

EIXO/AÇÃO 5 – Registro e memória

Realização e apoio ao registro, de formas variadas (audiovisual, história oral, arquivo documental, etc.), da implantação e implementação da Rede Saúde e Cultura, dos antecedentes de sua formação, do processo de construção de uma ação política organizada de interlocução entre os setores cultura e saúde, no campo das políticas públicas, bem como das práticas e atores variados que materializam e justificam a existência da rede. São produtos deste eixo vídeos, arquivos, inventários, etc.

As atividades Pactuadas para os dois Estados para 2014, confere principalmente o mapeamento dos atores e grupos, levantamento dos potenciais parceiros em cada Estado, criar espaços de reflexão e trocas, participação em eventos que possa dar visibilidade à formação da rede. A realização de oficinas para uso das plataformas virtuais, produção de acervos e conteúdos.

Períodos e formatos das atividades, certamente flexíveis e em conformidade com as realidades de cada Território.

Estrategicamente contaremos com pessoas, espaços ou grupos como "pontos focais" em cada localidade para que possam contribuir com o dinamizador da rede na execução das atividades. Existe um cadastro (mapeamento) como referência onde cada ator ou grupo poderá demonstrar seu interesse e sua área de atuação consolidando um banco de dados dos estados de participação na Rede Cultura e Saúde.

SOBRARAM CRITICAS PARA "QUASE" TODOS OS LADOS

Durante a fala de Zezito de Oliveira, representante do Ponto de Cultura, Juventude e Cidadania/Ação Cultural e de Messias Cordeiro, representante do Ponto de Cultura Albertina Brasil, foi enfatizado as dificuldades no relacionamento com o Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e com os órgãos de controle e fiscalização como a Procuradoria Geral do Estado, o Ministério Público e etc..

Em termos mais detalhados, no caso da Secult, foi destaque, as diversas mudanças das equipes responsáveis pelo acompanhamento da gestão dos Pontos de Cultura, além da sobrecarga de trabalhos dos funcionários ligados a equipe de acompanhamento dos Pontos de Cultura, os quais acumulam outras trabalhos no âmbito da Secult. Com isso, ocorre interrupção e demora do repasse dos recursos financeiros.

Por outro lado, foi citada a falta de iniciativa dos Pontos de Cultura no campo da articulação politica e na busca de qualificação técnica, para confirmar, Messias Cordeiro citou a ausência de representantes dos Pontos de Cultura, por ocasião das duas visitas a Sergipe, de Márcia Rollemberg, secretária da cidadania e diversidade cultural do MINC.

"É necessário sairmos desse lugar de vitimas ou de ficar apenas culpabilizando o estado", completou Jaquelene Linhares do Ponto de Cultura do Axè Ô. Por exemplo, o Fórum dos Pontos de Cultura de Sergipe, regimento interno incluso, deveria ser organizado pelos representantes dos Pontos de Cultura, completou.

EU SÓ QUERO SABER O QUE PODE DAR CERTO, NÃO TENHO TEMP0 A PERDER.

Após uma intervenção de Zezito de Oliveira, citando os versos acima, da autoria de Torquato Neto, foi dado inicio aos encaminhamentos e resoluções. O primeiro a apontar saídas foi Pedro Vasconcelos, como segue:

A representação regional do MINC para colaborar no destravamento da prestação de contas, deverá designar um técnico para vir a Sergipe e colaborar com os Pontos de Cultura neste sentido.

Também poderá designar um bolsista da Fiocruz da Rede Cultura e Saúde, afim de contribuir com a articulação e gestão da Rede Sergipe de Pontos de Cultura.

O repasse da contrapartida financeira do estado, correspondente a 20%, está atrasado e é recomendável que seja encaminhado por parte deste fórum um documento ao governador para que a resolução do problema, seja realizada o mais rápido possível, afim de não atrasar ainda mais, o repasse das parcelas devidas. Pedro Vasconcelos, ressaltou que todos os compromissos financeiros de repasse financeiro por parte do MINC, estão em dias.

Zezito de Oliveira e Messias Cordeiro reforçaram a necessidade de ampliação do apoio do MINC a da capacitação dos gestores dos Pontos, por exemplo, um curso de utilização da plataforma salicweb, ambiente para a inscrição de projetos, utilizado pelo MINC e o Siconv, instrumento congênere utilizado para a inscrição de projetos no caso de outros ministérios.

Lula de Oliveira na sua fala final confirmou o compromisso da representação regional do MINC, em organizar a vinda de um especialista de prestação de contas para uma agenda com a Secult e com a Rede Sergipe de Pontos de Cultura.

A propósito da fragilidade da articulação politica dos Pontos de Cultura de Sergipe, Lula de Oliveira afirmou que conhece esta dinâmica de dificuldades de relações, o mesmo acontece no caso dos Pontos de Cultura na Bahia e a institucionalidade, porém, a força politica das redes ligadas aos Pontos de Cultura de lá, ajuda a avançar e resolver muitas questões.

Por último, Zezito de Oliveira solicitou aos presentes que respondam o mais urgente possível ao questionário de diagnóstico de problemas com a prestação de contas, enviados pela representação regional do MINC.

O representante do Ponto de Cultura, Axé Ô, Alex Sandro, solicitou uma discussão especifica acerca do enfrentamento das dificuldades de articulação com a Prefeitura de São Cristóvão, por parte do Ponto de Cultura Axé Ô.

Em seguida, foi aberta a discussão e escolha dos delegados que representarão a Rede Sergipe de Pontos de Cultura na Teia nacional, além da escolha dos novos integrantes do colegiado que formarão a nova Comissão Estadual dos Pontos de Cultura.

Os escolhidos para esta última e importante tarefa, foram os seguintes agentes culturais: Território Grande Aracaju - José de Oliveira Santos (Zezito) e Jaquelene Linhares (titulares) e Marina R.Lopes e Rosineide Silva dos Santos (suplentes).
Território Agreste - Rui Marcelo (titular).
Território Centro-Sul - Thiago dos Santos Santana (titular) e José Alves (suplente).
Território Alto Sertão - Messias Cordeiro (titular) e José Messias (suplente)

A Teia 2014 no facebook, aqui e no hotsite.



Canção Ponto de Cultura - Leci Brandão




Ponto de Cultura (Ao Vivo) Leci Brandão

Você se apropriou
Da nossa identidade
Você nos expulsou
Do centro da cidade
Você não publicou
aquela entrevista
Você não revelou que sou protagonista

[x2]
Só porque você tem poder
Acha que vai nos convencer
Estamos prontos pra valer
A nossa força é o saber

[x2]
Tem hip-hop na comunidade
Tem grafiteiro com dignidade
O teatro é realidade
Também tem literatura
Dançadeira a sua vaidade
Capoeira toda liberdade
A bandeira da sinceridade
Salve o ponto de cultura

[x2]
Só porque você tem poder
Acha que vai nos convencer
Estamos prontos pra valer
A nossa força é o saber

[x2]
Tem hip-hop na comunidade
Tem grafiteiro com dignidade
O teatro é realidade
Também tem literatura
Dançadeira a sua vaidade
Capoeira toda liberdade
A bandeira da sinceridade
Salve o ponto de cultura

[x4]
Só porque você tem poder
Acha que vai nos convencer
Estamos prontos pra valer
A nossa força é o saber

 

A canção "Bomfim" da banda Naurêa, inspirou o titulo desse artigo.

Assista/ouça AQUI


"É muito chão, é muito sol
Muito sinal, muito desdém
É muito mais além


É muito santo e proteção
Muito trabalho e oração
É muita perdição

É muita dor, muito suor
Muito swing e carnaval
É música afinal

É muito frio, muito calor
Muito pedir, tanto favor
Bondade mata, meu senhor,
iô iô iô

No fim a gente ganha
Bomfim a gente ganha
Sim senhor 2x

Minha menina
Estrela matutina
Brinco sem dinheiro
Como é bom ser brasileiro

Minha menina
Estrela matutina
Vivo só brincando
Como é bom ser sergipano"


Leia também: A dor e a delicia de produzir arte na periferia sergipana.

PROGRAMAÇÃO DA TEIA SERGIPE A SER REALIZADA EM UM SEGUNDO MOMENTO.

Sexta – Tarde - Abertura com a fala dos representantes dos Pontos de Cultura, Secult, representação MINC e parceiros convidados.
Roda de Conversa - Programa Cultura Viva e os mecanismos que garantem a sua sustentação legal. (redesenho e legislação). Mediação _ Representante da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC).
-Noite
Roda de Conversa - Arte e Cultura pelo Reencantamento do Mundo. Mediação - Pontão Convivência e Cultura de Paz (SP).

Sábado – manhã – Roda de Conversa - Gestão Cultural aplicada as necessidade dos Pontos de Cultura. Mediação - Técnico do MINC ligado a área de prestação de contas. Roda de Conversa - A utilização de recursos interativos de comunicação dos Pontos de Cultura como estratégia de prestação de contas/Accountability.
Discussão sobre a utilização do Kit multimídia e novas mídias digitais. Mediação - A decidir
Tarde – Valores, princípios e práticas da gestão compartilhada e de colaboração para a Rede Sergipe de Pontos de Cultura Mediação – Lula Dantas (Representante da Bahia na Comissão Nacional de Pontos de Cultura ) Cris Alves (Dinamizadora dos Pontos de Cultura- Bahia/Sergipe – Representação Regional MINC)
Apresentações/Intervenções Estéticas- Acontecerá nos intervalos para o cafezinho, período do almoço e final dos turnos.

O tema Economia Criativa e Sustentabilidade ficou para ser discutido em uma outra data. A proposta será convidar um Ponto ou Pontão de Cultura, caso de sucesso, para apresentar sua experiência, além de representantes do Sebrae, para ajudar a discutir estratégias para inserir a busca da sustentabilidade como uma das ações prioritárias da Rede Sergipe de Pontos de Cultura.

Programação elaborado pelo Coletivo Pró Rede “Real” de Pontos de Cultura de Sergipe. No final do ano de 2013.

Participantes
Ponto de Cultura Juventude e Cidadania/Ação Cultural ((Grande Aracaju);
Ponto de Cultura Axé Ô/ Centro de Promoção de Desenvolvimento Sustentável Ile Ase Opo Oxogum Lade (São Cristóvão);
Ponto de Cultura Batuque de Angola/Abaô (Aracaju);
Ponto de Cultura Circolando/Sahude (Aracaju);
Ponto de Cultura Caatingart/ Ação Cultural Professora Elizabete (Japaratuba);
Ponto de Cultura Luz do Sol/ Associação Luz do Sol (Glória);).
Centro de Cultura, Artesanato e Arte de Porto da Folha/Instituto Vida Ativa.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

“A beleza salvará o mundo”: Dostoiewski nos ensina como


27/04/2014
Dos gregos aprendemos e isso atravessou  os séculos, que todo ser, por diferente que seja, possui três características transcendentais (estão sempre presentes pouco importa a situação, o lugar e o tempo): ele é o unum, o verum e o bonum, quer dizer ele goza de uma unidade interna que o mantem na existência, ele é verdadeiro, porque se mostra assim como de fato é e é bom porque desempenha bem o seu lugar junto aos demais ajundando-os a existirem e coexistirem.

Coube aos mestres franciscanos medievais, como Alexandre de Hales e especialmente São Boaventura que, prolongando uma tradição vinda de Dionísio Aeropagita e de Santo Agostinho, acrescentarem ao ser mais uma característica transcendental: o pulchrum vale dizer, o belo. Baseados, seguramente na experiência pessoal de São Francisco que era um poeta e um esteta de excepcional qualidade, que “no belo das criaturas via o Belíssimo,” enriqueceram nossa compreensão do ser com a dimensão da beleza. Todos os seres, mesmo aqueles que nos parecem hediondos, se os olharmos com afeição, nos detalhes e no todo, apresentam, cada um a seu modo, uma beleza singular na maneira como neles tudo vem articulado com um equilíbrio e harmonia surpreendentes.

Um dos grandes apreciadores da beleza foi Fiodor Dostoiewski. A beleza era tão central em sua vida, conta-nos Anselm Grün, monge beneditino e grande espiritualista, em seu último livro “Beleza: uma nova espiritualidade da alegria de viver”(Vier Türme Verlag 2014) que o grande romancista russo desolocava-se pelo menos uma vez ao ano até Dresde, na Alemanha, só para contemplar na capela a formosa Madona Sixtina de Rafael. Permanecia longo tempo em contemplação diante daquela esplêndida figura. Tal fato é surpreendente, pois seus romances penetraram nas zonas mais obscuras e até perversas da alma humana. Mas o que o movia, na verdade, era a busca da beleza pois nos legou a famosa frase:”A beleza salvará o mundo”dita no livro O Idiota.

No romance Os irmãos Karamazov aprofunda a questão. Um ateu Ipolit pergunta ao príncipe Mynski como “a beleza salvaria o mundo”? O príncipe nada diz mas vai junto a um jovem de 18 anos que agonizava. Aí fica cheio de compaixão e amor até ele morrer. Com isso nos quis dizer: beleza é o que nos leva ao amor condividido com a dor; o mundo será salvo hoje e sempre enquanto houver essa atitude.

Para Dostoiewski a contemplação da Madona de Rafael era a sua terapia pessoal, pois sem ela desesperaria dos homens e de si mesmo, diante de tantos problemas que vivia. Em seus escritos descreveu pessoas más e destrutivas e outras que mergulhavam nos abismos do desespero. Mas seu olhar, que rimava amor com dor compartida, conseguia ver beleza na alma dos mais perversos personagens. Para ele, o contrário do belo não era o feio mas o espírito utilitarista e o uso dos outros, roubando-lhe assim a dignidade.

“Seguramente não podemos viver sem pão,mas também é impossível existir sem beleza”repetia. Beleza é mais que estética; possui uma dimensão ética e religiosa. Ele via em Jesus um semeador de beleza. “Ele foi um exemplo de beleza e a implantou na alma das pessoas para que através da beleza todos se fizessem irmãos entre si”. Ele não se refere ao amor ao próximo; a contrário: é a beleza que suscita o amor e nos faz ver no outro um próximo a amar.

A nossa cultura dominada pelo marketing vê a beleza como uma construção do corpo e não da totalidade da pessoa. Então surgem métodos e mais métodos de plásticas e botoxs para tornarem as pessoas mais “belas”. Por ser construída, é uma beleza sem alma. E se repararmos bem, nesta estética fabricada, emergem pessoas com uma beleza fria e com uma aura de artificialidade, incapaz de irradiar. Daí irrompe a vaidade, não o amor, pois a beleza tem a ver com amor e a comunicação. Dostoiewski observa, nos Irmãos Karamazov, que um rosto é belo quando você percebe que nele litigam Deus e o Diabo entorno do bem e do mal. Quando percebe que o bem venceu, irrompe a beleza expressiva, suave, natural e irradiante. Qual beleza é maior? A do rosto frio de uma top-model ou a do rosto enrugado e cheio de irradiação da Irmã Dulce de Salvador, Bahia, ou a da Madre Tereza de Calcutá? A beleza, característica transcendental, se revela como irradiação do ser. Nas duas Irmãs, a irradiação é manifesta, na top-model existe mas é esmaecida.

O Papa Francisco conferiu especial importância na transmissão da fé cristã à via pulchritudinis (a via da beleza). Não basta que a mensagem seja boa e justa. Ela tem que ser bela, pois só assim chega ao coração das pessoas e suscita o amor que atrái ( Exortação A alegria do Evangelho, n 167). A Igreja não visa o proselitismo mas a atração que vem do amor e da beleza da mensagem que causa fascínio e produz esplendor.

A beleza é um valor em si mesmo. É gratuita e sem interesse. É como a flor que floresce por florescer pouco importa se a olham ou não, como diz o místico Angelus Silesius. Quem não se deixa fascinar por uma flor que sorri gratuitamente ao universo? Assim devemos viver a beleza no meio de um mundo de interesses, trocas e mercadorias. Então ela realiza sua origem sânscrita Bet-El-Za que quer dizer:”o lugar onde Deus brilha”. Brilha por tudo e nos faz também brilhar pelo belo que se irradia de nós.
Leonardo Boff escreveu A força da ternura, Editora Mar de Idéias, Rio 2011.

sábado, 26 de abril de 2014

Lançamento de curtas-metragens atraiu centenas de pessoas ao Teatro Atheneu









Noite de festa para o cinema sergipano. Na última quinta-feira, 24, foram lançados no Teatro Atheneu, os cinco curtas-metragens contemplados pelo Edital de Apoio a Produções Audiovisual de Curtas-mestragens. O edital, realizado pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), aportou recursos da ordem de 150 mil reais, divididos em para os cinco projetos.
‘Conflitos e Abismos’, de direção de Everlane Moraes, ‘M.A.D.O.N.A.’, de André Aragão, ‘Para Leopoldina’, de Diane Veloso, ‘Operação Cajueiro’, de Fábio Rogério e ‘Morena de Olhos Pretos’, de Isaac Dourado, arrancaram risos, emocionaram e contaram um pouco da história de Sergipe e do Brasil as mais de 700 pessoas que lotaram o Atheneu para a exibição.
Em uma breve fala, a secretária de Estado da Cultura, Eloisa Galdino, falou da alegria de poder finalizar mais uma edição deste projeto. Ela ressaltou ainda da certeza que, assim como em outras ações da Secult, este edital já atua como uma forte política pública implantada na vida cultural do Estado.
“São alguns anos de atuação no setor público e a referência que tivemos nesta área é de que política pública só se faz se construída para aqueles e com aqueles que são a razão delas existirem. Quando chegamos a Secult, em 2009, não existia política de audiovisual, nem de editais. Por isso, analisando a situação pela qual passava o país nós entendemos que Sergipe precisava entrar neste processo. Hoje, com essas ações e com o diálogo que foi traçado com os agentes culturais das mais variadas linguagens, fechamos em 2014 este ciclo de trabalho, com a sensação de dever cumprido”, discursou a secretária.
Realizadores comemoram
Ao final da exibição de cada curta, os aplausos explodiam, demonstrando que os filmes estavam surpreendendo cada vez mais. A atriz e diretora Diane Veloso (Para Leopoldina), estava extasiada com a exibição do primeiro filme que ela dirigiu. “A sensação é de dever cumprido, e de muita alegria em ver nosso trabalho sendo exibido assim. Foi um filme muito importante para mim”, frisou.
Já o diretor do curta M.A.D.O.N.A., André Aragão, que foi contemplado também na primeira edição do Edital, o projeto da Secult está cumprindo seu papel. “Este edital surgiu de uma necessidade da classe e vem fazendo a área do audiovisual crescer, as pessoas se profissionalizarem mais. Isso é muito importante. A expectativa é que isso siga acontecendo, fazendo a qualidade das produções melhorem e que o edital também cresça, tanto em número de contemplados, quanto no valor investido”, argumentou.
Isaac Dourado (Morena dos Olhos Pretos) também estava bastante emocionado com o final da exibição do seu filme. O curta que conta a história de vida da forrozeira Clemilda, será transformado em longa e lançado no mês de junho. “Acho que conseguimos hoje mostrar um prólogo do que foi a vida da Clemilda. Ela é uma figura muito importante para Sergipe e toda a sua historia não caberia em um curta, por isso, crescemos o filme e tenho certeza que ele irá surpreender a todos mais uma vez”, afirmou.
Sobre os curtas
Conflitos e Abismos
Direção: Everlane Moraes
Produção:
Gênero: Animação
‘Conflitos e Abismos: a expressão da condição humana’ tem a autoria da cineasta e produtora cultural Everlane Moraes. A produção trata da história do artista plástico sergipano José Everton Santos, analisando a estética do seu trabalho e enfatizando a sua concepção sobre o universo artístico. O principal objetivo é tratar filosoficamente sobre a relação existente entre arte e vida, usando um tema ao qual o artista se detém: a expressão da condição do homem.
M.A.D.O.N.A.
Direção: André Aragão
Produção: Isaac Dourado
Gênero: Ficção
Dirigido por André Aragão, autor do projeto inspirado em Amós Lima Chagas, que pretende revelar a história de amor vivida entre uma travesti (Madona) e uma prostituta (Folosa). Além disso, trata da problemática da violência praticada contra homossexuais, originária de uma grave crise enfrentada em Sergipe, com base nos altos índices aqui registrados.
Para Leopoldina
Direção: Diane Veloso
Produção: Nah Donato
Gênero: Ficção
Já a obra ‘Para Leopoldina’, de Diane Veloso, aborda a solidão como estado inerente ao ser humano, traduzida de forma poética, com objetivo de explorar um paradoxo conceitual, quando uma das personagens tenta acabar com a solidão alheia, sendo ela um personagem solitário. O objetivo da obra é fazer com que o filme circule em festivais, exportando Sergipe no âmbito profissional, social, cultural e artístico, além de ser instrumento capaz de gerar reflexões sobre a solidão, o indivíduo e a solidariedade.
Operação Cajueiro
Direção e produção: Fábio Rogério, Werden Tavares e Vaneide Dias
Gênero: Documentário
Fruto de diálogos mantidos com ex-presos políticos e considerando os esforços mantidos pelos mesmos, bem como dos seus familiares e organizações da sociedade civil para evidenciar uma memória sobre as ditaduras militares no Brasil, surge o documentário ‘Operação Cajueiro, um carnaval de torturas’. A produção visa, além de homenagear perseguidos, demitidos, torturados e exilados, alertar a sociedade brasileira para que barbáries cometidas no período ditatorial não sejam repetidas e para dissipar a conivência com a criminalização dos movimentos sociais em qualquer período da história.
O documentário destaca, portanto, o Estado de Sergipe como parte desse cenário, tendo na ‘Operação Cajueiro’ uma das manifestações impositivas mais violentas, realizada com participação de militares que vieram da Bahia especialmente para acabar com qualquer tipo de reorganização do PCB em Sergipe.
Morena de Olhos Pretos
Direção: Isaac Dourado
Gênero: Documentário
O outro documentário aprovado no ‘Edital de Apoio a Produção de Obras Audiovisuais Digitais de Curta Metragem’ é ‘Morena de Olhos Pretos’, assinado pelo ator e roteirista Isaac Dourado. Com a produção, ele procura traçar uma trajetória sobre a história de Clemilda, cantora radicada em Sergipe, tida como uma das responsáveis pelo amadurecimento e reconhecimento do tradicional pé-de-serra nordestino em todo o Brasil, promovendo a reflexão sobre o que o seu legado representa para a cultura sergipana e brasileira na atualidade.
Eloisa Galdino, Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe

Foi uma noite marcante, emocionante, daquelas que fazem você refletir sobre o seu trabalho, os diálogos surgidos a partir dele, as dificuldades e as conquistas.
Uma noite em que me deparei com algumas transformações realizadas ao longos desses anos de atuação na cultura. Eu me reencontrei mais uma vez com o objetivo maior da nossa passagem por aqui: MUDANÇA.
Lembrei da caminhada, do percurso, e sorri várias vezes, por inúmeras razões. Como não sorrir com o Atheneu lotado, repleto de pessoas que estavam ali pra encontrar elas mesmas, pra reencontrar a sua aldeia, a sua tribo e identidade. Como? Impossível não falar de celebração pra caracterizar uma noite como aquela.
Foi mais um momento do audiovisual sergipano, mas como falar nele sem pensar na cadeia que ele engendra e movimenta? Sem pensar no artista, no técnico, no diretor, no figurinista, na costureira , no músico, nas produtoras, fotógrafos, estudantes, finalizadores, designers etc etc etc ? Não é possível. Porque o audiovisual talvez seja uma das linguagens mais articuladoras e agregadoras da cultura, e justamente por isso a casa estava cheia, de gente diversa, militante, colorida, crítica e festiva.
Uma gente da cultura, agentes dela, e agentes também da mudança. Uma gente que me desafiou e desafia, cotidianamente, a buscar e a fazer mais e melhor.
A noite foi de festa e de muito brilho por conta dessa gente, dos agentes da cultura sergipana. Até agora as imagens dos curtas, das pessoas, da estética e boa música da Couto, e de uma empolgação generalizada estão em minha mente e alimentam a minha alma. Fazem valer a caminhada.
Num tempo em que a democracia nos permite ter voz e usá-la diuturnamente em defesa de causas, meu melhor exercício é ouvir as vozes de quem produz arte e cultura em meu Estado. Aprendizado em estado puro, sempre.
E quando esta fase passar - porque há um tempo pra tudo na vida -, hei de carregar essas vozes em minha mente como ecos bons, que me farão crescer e praticar ainda mais a alteridade. Eu nunca irei esquecer de um tempo em que minha voz se confundiu com tantas outras pra engrossar o coro de uma causa tão rica, a causa cultural.
Obrigada a todos por tudo isso. Para sempre!


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O desafio maior é   “institucionalização”  de iniciativas inovadores como a  deste edital,  concomitante ao fortalecimento dos setores envolvidos com a pequena e com a média produção no campo da cultura.
Dessa maneira,  haverá um diferencial no legado dos gestores culturais em Sergipe. E neste particular vale dizer, o que você deixa/deixará,  pela primeira vez, em Sergipe,  tem a cara de um projeto crativo, republicano   e antenado com a construção iniciada a partir da gestão dos ministros Gil e Juca Ferreira, cobertos pela sensibilidade e visão de um homem público como Luiz Inácio Lula da Silva
E isso você busca fazer, mesmo que eu tenha criticas a fazer a alguns aspectos da gestão, o que não é o caso de apresentá-las neste momento e sabendo que  mudanças  mais ousadas e ampliadas dependem  de um conjunto de  competências , as quais,  nós que fazemos parte da cadeia produtiva da cultura em nosso estado precisamos apertar o passo para obtê-las. Neste particular,  quero agradecer ao Ministério da Cultura pelo investimento que está fazendo em centenas de agentes culturais, entre os quais me incluo, através do curso de educação a distância e presencial em gestão de empreendimentos criativos, ministrado pela competente equipe do Senac-DF.
A propósito dos filmes, é fundamental que os mesmos sejam disponibilizados para as escolas da rede pública, o que está sendo feito neste sentido?
Zezito de Oliveira

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Por questão de justiça
E pensar que o governo de Sergipe estava “de mal” com o Minc de Gilberto Gil, chegando ao ponto de um ex secretário de Cultura declarar-se contrário à vinda do ministro a Sergipe por não considerá-lo suficientemente sério. Eloisa Galdino não somente nos incluiu, como se incluiu na formulação e acompanhamento de políticas públicas na área da Cultura, presidindo o colegiado federal que tratava da matéria.
Infelizmente ela não conseguiu, embora tentasse, dotar a secretaria de Cultura, em Sergipe, de meios institucionais e orçamentários ideais ao enfrentamento das modernas demandas que a Cultura apresenta.
Faz um bom trabalho, embora sintamos falta de uma maior interação com os atores tradicionais da cultura local, de gerações e momentos históricos diferentes, que, certamente, tornariam política e administrativamente irreversível o resultado do seu trabalho, estabelecendo uma sólida linha do tempo que prosperasse além de qualquer governo.

Eloisa Galdino, sem dúvidas, estabeleceu sua gestão na administração cultural como um divisor de águas, graças, prioritariamente, ao reconhecimento de Sergipe como um ente capaz de realizar com sucesso alguns dos mais caros programas federais na área da Cultura
Este é um depoimento de quem já esteve, bem antes dela e em cinrcunstâncias históricas diferentes, exercendo a mesma função pública.

Amaral Cavalcante


Cine Vitória - Semana de 24/04 a 30/04


Nesta cine-semana estamos exibindo os títulos:

Belém, Zona de Conflito. Dir.: Yuval Adler. Drama, Suspense. Israel, Alemanha, Bélgica. 2013. 99min. 14 anos.
Belém: zona de conflito, retrata a história de um complexo relacionamento entre um oficial do Serviço Secreto de Israel e um informante adolescente palestino. Revela os conflitos de visão entre os dois personagens, o questionamento da lealdade e o impasse entre os dilemas morais.

Quem gostou de Hoje eu quero voltar sozinho, pode dar uma conferida também em Belém...

A Música Nunca Parou. Dir. Jim Kohlberg. Drama, EUA. 2011. 105min. 10 anos
Baseado no estudo de caso "O Último Hippie", do Dr. Oliver Sacks (Tempo de Despertar), A MÚSICA NUNCA PAROU mostra a jornada de um pai e um filho se ajustando na cura de um trauma cerebral e a uma vida de oportunidades perdidas. O filme narra o emocionante reencontro entre Henry (J.K
 . Simmons) e Gabriel (Lou Taylor Pucci) Sawyer, pai e filho, em lados opostos quanto a gostos musicais assim como política e a Guerra do Vietnã. Gabriel desaparece dentro da contracultura depois de um confronto devastador com seu pai. Duas décadas mais tarde, Henry e sua esposa Helen (Cara Seymour) são informados que seu filho foi encontrado perambulando pelas ruas de Nova Iorque. Gabriel tem um tumor cerebral que causou danos extensivos ao órgão e requer cirurgia imediata. Para Gabriel, passado, presente e futuro são indistinguíveis, enquanto se recupera da operação, ele acredita ainda estar em 1968, era do Vietnã, das festas regadas a ácido e da música psicodélica. Determinados, Henry e a esposa Helen juram se aproximar de Gabriel, que mal consegue se comunicar. Henry começa a pesquisar sobre danos cerebrais, o que o leva à Dra. Dianne Daly (Julia Ormond), uma musicoterapeuta que fez grandes avanços com vítimas de tumores cerebrais através da música. Conforme trabalha com Gabriel, Diane percebe que ele parece responder de modo efetivo à música da era psicodélica (Beatles, Bob Dylan e, particularmente, Grateful Dead), que tem um efeito formidável com o rapaz, já que ele começa a conseguir conversar e se expressar, mesmo que não tenha consciência de que a época da sua música já passou há muito tempo. Não suportando rock´n´roll, Henry começa uma peregrinação pelas bandas dos anos 60 para conseguir animar a alma de seu filho, que começa de fato a formar um vínculo incomum, emocionante e cheio de vida, um vínculo entre pai e filho, que ele achava ter perdido.

Aos amantes da música



sexta-feira, 25 de abril de 2014

Secult divulga a programação da VIII Semana Sergipana de Dança

http://cultura.se.gov.br/display/secult-divulga-a-programacao-da-viii-semana-sergipana-de-danca


Os holofotes estarão mais uma vez voltados para as artes cênicas de Sergipe a partir do próximo dia 29 de abril, com o início da 8ª Semana Sergipana de Dança. O evento acontecerá até o dia 4 de maio com espetáculos para todos os gostos. O projeto é uma realização do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), em parceria com o Instituto Banese e apoio do Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos de Sergipe (Sated/SE).
Ao todo, 13 espetáculos compõem a programação, que foi formada através de seleção via edital e por mais dois grupos convidados. “Realizamos mais uma edição da Semana Sergipana de Dança como forma de incentivar a formação de platéia para a dança produzida em Sergipe e também cumprindo nosso compromisso com esse segmento da classe artística”, destaca a secretária de Estado da Cultura, Eloisa Galdino.
Programação
 A programação foi dividida entre os Teatros Atheneu e Tobias Barreto, e contempla grupos da capital e do interior do Estado. As apresentações seguem diversas linhas artísticas, que vão da dança árabe ao hip hop, dando espaço também para a dança inclusiva com cadeiras de rodas.
Além da programação, o evento contará ainda com dois workshops: um sobre danças populares, ministrado pelos professores Jussara da Silva Rosa Tavares e João Pinheiro; e outro sobre dança contemporânea, com integrantes da Companhia de Danças de Diadema. Os workshops acontecem, respectivamente, nos dias 30 de abril, às 14h, no Museu da Gente Sergipana; e no dia 02 de maio, às 14h30, no Teatro Tobias Barreto.
Para participar do workshop sobre danças populares não será necessário inscrição, porém, os interessados na oficina sobre Dança Contemporânea devem preencher a ficha de inscrição disponível no site da Secult e enviá-la para o email semana.danca@cultura.se.gov.br. Em ambos os cursos só serão aceitos alunos com idade igual ou superior a 15 anos.
Confira a programação completa:
29 de abril
Teatro Atheneu, 19h
 ‘Moinhos de Pedra’
Margot Oliveira (SE) | 12 anos
‘Dançando com a Diferença’
Cia de Dança Loucurarte (SE) | 12 anos
30 de abril
Teatro Atheneu, 19h
‘O Heremita’
Erê Bráz (SE) | 12 anos
 ‘Sinfonias’
Grupo Irmãos de Rua | 10 anos
‘Isis’
Flávia Khayna | 12 anos
‘Yalla Malika’
Malika Danças | 12 anos
1º de maio
Teatro Atheneu, 19h
‘La vie em Rose’
Companhia de Dança de Diadema (SP) | 10 anos
2 de maio
Teatro Atheneu, 19h
Por entre Modigliani e outras intimidades
Renata Andrade (SE) | 12 anos
‘Nenhuma Teoria’
Cia Contempodança (SE) | 12 anos
São os Sons que nos Unem
Cia de Dança Nelson Santos (SE) | 12 anos
3 de maio
Teatro Atheneu, 19h
Villa Lobos: um musical
Aria Social Espaço de Dança e Arte (PE) | 10 anos
4 de maio
Teatro Tobias Barreto, 19h
‘Afeto’
Espaço Liso Cia de Dança (SE) | 14 anos

‘Experimento Incarnar’
Coletivo Axonial (SE) | 16 anos
WORKSHOPS
30 de abril
Museu da Gente Sergipana, das 14h às 16h
‘Danças Populares’
Ministrantes: Jussara Tavares e João Pinheiro
2 de maio
Teatro Tobias Barreto, das 14h30 às 16h30
‘Dança Contemporânea’
Ministrantes: integrantes da Companhia de Dança de Diadema

Quando a juventude se encontra em Brasília e discute políticas públicas culturais

24.04.2014
Artigo da estudante Yasmin Thayná publicado no  Brasil Post

Eu não tinha conseguido derramar lágrimas intensas durante esses dias tenebrosos no Rio de Janeiro. Esses dias de Amarildos sumidos, Claudia arrastada, jovem negro amarrado no poste e tantos outros casos de extermínio do povo negro. Mas foi no aeroporto de Brasília que derramei as lágrimas assim que olhei para o céu e já estava de noite. Já tinha deixado o ônibus com uma parte dos jovens mais importantes do país. Já não estava morrendo de rir com a história do psicodrama e a psicopiada do Jean, filho do Nelson Triunfo. Que garoto gente fina e bem humorado!
Já não estava rindo de doer a barriga com a Cinthya do São Miguel do Gostoso gritando torcendo pelo Vasco da Gama dentro do ônibus que nos levava ao aeroporto.

Estava partindo para o Rio com ainda mais vontade de fazer coisas, de estar participando mais ativamente desse tipo de construção. Chorei de emoção e dor: encontrei, no Curto Circuito da Juventude, pessoas que nunca encontraria se fosse esperar pelo planejamento geográfico do Brasil, que não foi feito para os encontros. De dor chorei porque boa parte da discussão foi pelo fim do extermínio da juventude negra no Brasil. E tem que ser assim. Enquanto o nosso povo negro estiver morrendo por esse Estado exterminador, não nos calaremos! Enquanto discutíamos políticas públicas para a juventude, um jovem negro foi assassinado na Maré.
No avião, parei de chorar e disse para mim: eu quero voltar muitas vezes, mas quero um dia participar de um encontro desses quando não for mais jovem para ouvir a juventude futura discutir suas políticas públicas. Quero que o extermínio da juventude negra não seja pauta e que tenhamos uma cultura que preze pela diversidade, com menos burocracias e para todxs. Que o povo cigano, indígena e quilombola sejam respeitados. Chega de extermínio!

Participei de um encontro onde boa parte era composta pela juventude negra. Pela primeira vez, entrei num lugar que não era um encontro específico para pretxs, fiz a minha clássica pergunta: quantxs pretxs? E vi MUITXS. Gente do interior do Acre, de Manaus, de Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe, Pernambuco, Maranhão, Bahia, Goiás, Pará e tantos outros lugares. De quebra, no final do primeiro dia, assisti um show maravilhoso do Gog. Não é pouca tiração de onda não.

Foi o primeiro encontro de cultura que eu me senti parte importante. Onde vi que tinha coisas importantes para dizer, que eu podia participar ativamente sem medo de errar, sem medo de expor os problemas que a minha juventude enfrenta. Eu pude falar sem ser censurada, sem ser menosprezada. Tivemos todos esse espaço de fala que tanto falta dentro dos debates de cultura. O jovem é sempre um espectador. Na maioria das vezes tem alguém decidindo por nós. Estamos mudando!
Participei do primeiro Curto Circuito da Juventude com a Ministra Marta Suplicy ouvindo nossas necessidades talvez até um pouco surpresa com o grupo potente que esteve presente lá durante três dias. Pesadão! Esse grupo era pesadão.
No primeiro dia, todo mundo falou o nome, a idade, de onde é e o que faz. Só nessa rodada de apresentação, já valeu. Gente de todos os sertões brasileiros (periferias, interiores, favelas, quilombos, ocupações), e grandes cidades. Todos com ação no território. A maioria não institucionalizada, muitos coletivos, sujeitos fluidos que apavoram no país. Elxs querem desburocratizar os editais públicos de cultura, investimento continuado, diminuir fronteiras, ter o orgulho de contar quem são, instalar impressoras 3D em equipamentos públicos que disponibilizam computadores e internet em comunidades e centro de referência da juventude, um número maior de mulheres na computação, ampliar o Pronatec, criar micro-centros de formação, lançar uma prática de troca de pares entre os coletivos (para que eles aprendam um com os outros a resolver o problema que já lhe pertenceu), investimento direto para a juventude de maneira não meritocrática, que a juventude LGBT possa criar uma secretaria dentro do Ministério para criar suas políticas públicas, ônibus para a juventude ir para as ações em seus terreiros, baile funk, entre outros; instituição do passe livre, acesso à memória: substituição de figuras públicas que nomeiam as ruas, edifícios e outros equipamentos por atores históricos ligados às tradições e lutas por direitos, volta do edital Ponto de Mídia Livre Anual, entre outros.
Josinaldo do Mate com Angu, morador da Maré, puxou o assunto sobre o que está acontecendo na Maré com as ocupações militares. Os jovens fizeram um ato simbólico em apoio a todxs xs moradorxs do Complexo e incentivaram o Ministério da Cultura dialogar com os outros Ministérios.
Fiquei pensando o que é encontrar jovens como eu para discutir políticas públicas. Somos afetivos (de verdade!!), emocionados (mas não deslumbrados!!!), acreditamos uns nos outros, nos respeitamos, estamos sempre dizendo ao outro: máximo respeito. Trocamos WhatsApp, beijos, abraços, nos apaixonamos uns pelos outros, trocamos Facebook, conversas pautadas no futuro da cultura. Nos olhamos, nos tocamos, discutimos muito. Foi isso que fizemos durante os três dias.
Queria deixar um salve aqui para a equipe inteira que produziu o evento. Um salve super especial ao Guti Fraga, que almoçou com a gente, olhou nos nossos olhos, prestou atenção, ficou com a gente o tempo todo, não deixou a gente em momento nenhum. Muito obrigada!
A minha sorte foi ter voltado ao lado do Cebolinha, do bonde do passinho. Conversamos sobre editais, passinho, funk e subúrbio. Além de dividir o fone de ouvido comigo, ele disse: "agora sou um evangélico candomblecista. Me identifiquei com os caras, fiz uma nova família. Os manos dos terreiros deveriam fazer coisas junto com os evangélicos".
Conheci maior galera maneira. Deixo aqui o link (poucos, não dei conta de pegar todos) para alguns dos trabalhos sensacionais que marcaram presença no evento. Deixo aqui meu muito obrigada a todxs vocês que hackearam esse encontro!
·                  Keila Serruya é uma cineasta de Manaus que faz uns corres com vídeo junto com o grupo que se chama Picolé na Massa: http://vimeo.com/keilaserruya
·                 Leila Tupinambá é produtora do Eu Amo Baile Funk, aqui no Rio de Janeiro:http://www.euamobailefunk.com/
·                  No sabadão, participei do Sarau Radical, numa quebrada de Brasília, em São Sebastião realizado pela galera do Radicais Livres - SA. Essa edição foi mais do que especial. Teve Maracatu, Jean filho do Nelson Triunfo no beat box para o Mc Caio da VP cantar que "mulher nenhuma no mundo merece ser estuprada", entre outras intervenções artísticas do pessoal que foi ao encontro.
·                  Lá no Sarau, conheci o Magu Diga How, Rapper lá de São Sebastião:http://www.digahow.com.br/site/
·                  Marcinho Zola é diretor no grupo Instiga Gestão Cultura, lá em Porto Alegre:https://www.facebook.com/instiga.gestao.producao
·                  Luiz Fernando é ator e produtor no Coletivo Peneira e também produz o Sarau do escritório, no Bar da Cachaça, aqui no Rio:https://www.facebook.com/ColetivoPeneira
·                  Nilo Mortara é do Paraná e faz parte do Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina- Kinoarte: https://www.facebook.com/fanpagekinoarte?fref=ts
·                  Conheci a Janaina, do Circo Crescer e Viver. Ainda quero hacker muito contigo! O pessoal do Circo, além de ter um programa super importante de circo social, está produzindo o maior festival internacional de circo:http://www.festivaldecirco.com.br/
·                  Cinthia Matos de São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, faz parte do espaço de cultura e direitos humanos, o Tear: http://tearcultura.blogspot.com/
·                  O Mil Onilètó lá de São Luis do Maranhão faz parte da Rede Mocambos- Ma / Ile Ase Alagbede Olodumare / Juventude de terreiro.
·                  A Hanna, de Niterói, faz parte da Revista Biblioo. Vale a pena ler o que ela escreveu sobre o encontro: http://biblioo.info/cultura-pra-quem/
·                  Pai Júnior do Axé Talabi, de Pernambuco, é idealizador do projeto Comida de Santo: Poéticas Ancestrais da Culinária nagô:http://projetocomidadesanto.blogspot.com.br/
·                  Suellen Tavares é do Rio, faz parte do querido Grupo Cultural Jongo da Serrinha e também é uma das Jovens Lideranças Jongueiras do Sudeste:http://jongodaserrinha.org/
·                  André Luis da Associação Jongo Dito Ribeiro/Ile Omonibu Axé Beje-Ero/Jovens de Terreiro RMC/ Coletivo Saravaxé:http://comunidadejongoditoribeiro.wordpress.com/
·                  Luiza Mançano do CineKombão e Marcha Mundial das Mulheres:http://cinekombao.wordpress.com/
·                  Greice Ellen de Guaíba, Rio Grande do Sul do Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural - Assobecaty (Associação Beneficiente Cultural Templo de Yemanjá):http://templodeyemanja.blogspot.com.br/

Assista mais vídeos, AQUI





quarta-feira, 9 de abril de 2014

Festival de Cinema Francês no Cine Vitória


Entre os dias 9 a 16 de abril, o Cinema Vitória será o espaço sergipano do Festival Varilux de Cinema Francês. Para o público, ficará aberto a partir do dia 10.
O evento exibirá o melhor da cinematografia francesa recente com uma seleção de 15 filmes na programação exibida no Cine Vitória, entre os mais variados gêneros e os mais destacados diretores e atores do momento. Fique ligado!!