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sábado, 22 de março de 2008

ZÉ VICENTE. Quem é este cantor?

ALI ADIANTE
Zé Vicente
Tantos caminhos andados
tantos shows realizados
tantos olhares brilhantes
tantos abraços trocados
tantos carinhos queridos
tanto passado guardado

Chegamos.
É um outro tempo,
que seja novo!
Um descanso rápido,
um momento prá deitar na varanda
e escutar o bem-te-vi,
cochilar sonhando
com o que há de vir
de belo
de bênçãos
de canções...

Desço
ao meu riacho velho,
existe aí um fio d’água na areia
e avencas singelas na s barreiras!
Acalmo a sede,
contemplo a babugem verdinha
no rastro das chuvas de janeiro.

Silencio,
para sentir o cheiro da terra,
a fala da terra
o espírito da terra!

Reconheço-me
cada vez mais nativo
e todas as vibrações
das árvores, das flores, dos pássaros...
encontram eco em meu corpo.

Quando mais ando
mais retorno para as raízes
deste chão que me gerou.

Pela janela
desta hora
antevejo as bandeiras vivas,
erguidas há séculos,
nos braços teimosos do meu povo!

Vamos lá,
subamos juntos
sigamos juntos
marcando na agenda do futuro
o nosso compromisso
fiel e firme
com a felicidade
que já provamos e sabemos,
que pode estar ali... Adiante!

ORIGENS

Zé Vicente, José Vicente Filho, terceiro dos dez filhos de José Vicente Sobrinho, Zezinho Paraibano, como foi conhecido, e Susana de Oliveira Barros. O pai, como já diz seu nome popular, natural do município de Catolé do Rocha, na Paraíba; a mãe, cearense, do município de Orós.
Foi nessa Família de lavradores, gente simples, festiva, religiosa, apaixonada pela poesia de Cordel e Luiz Gonzaga, que Zé Vicente foi criado, e mesmo hoje, aos 50 anos e muitas viagens a serviço da arte, mantém-se ligado ao seu lugar, sua gente, suas raízes. Nos intervalos da agenda, lá vai ele, 450 quilômetros de estrada, para a roça, no Sítio Aroeiras-Orós, onde está sua mãe, hoje com 76 anos, alguns irmãos, parentes, amigos e sua horta, adubada com cartas recebidas de amigos(as) e admiradores(as), as árvores sobreviventes, as quais chama com os nomes de quem ama.

O ESTUDO

Desde a escolinha municipal, na vizinhança do Sítio Aroeiras, das professoras: Teresinha, Geraldinha, Petrina, até o Curso de Teologia com a orientação do DEPA – Departamento de Pesquisa e Assessoria, em Recife, entre 1981 a 1986, foram muitos caminhos. Concluiu primário no distrito de Guassussê, com provas de Admissão ao Ginásio, em Orós. Todo o Ginásio e 2º Grau foi na cidade de Iguatú, onde esteve plenamente engajado ao Movimento Estudantil, na Pastoral da Juventude. Aí iniciou sua carreira artística, sendo um dos fundadores do Grupo de Teatro Amador – TAI, escreveu, dirigiu e atuou como ator, durante os anos de 1974 a 1979. Neste período, deu seus primeiros passos no contato com o violão e criou seus primeiros versos poéticos de Cordel, poesia popular na Região Nordeste.
Ainda em Iguatú, compôs uma Equipe que produzia e apresentava um programa de Rádio destinado ao público jovem, comunicando poesias, noticias gerais, músicas, cartas, entrevistas etc. O programa: “Juventude em ação”, ia ao ar nas noites de sábado, pela Rádio Iracema de Iguatú. Todo o trabalho era numa visão mais crítica, o que implicou em pressão e conseqüente corte do programa, já que estávamos em pleno regime da Ditadura Militar.
Além do Estudo Escolar, Zé Vicente fez vários Cursos: Iniciação Cinematográfica, na Fundação Pe. Ibiapina em Crato-Ce, de Radialista, através do Sindicato dos Radialistas do Ceará, Curso de Formação Bíblica pelo CEBI – Centro de Estudos Bíblicos, Curso de Verão do CESEP-Centro Ecumênico de Serviço ~Evangelização e Educação Popular, em São Paulo, Curso de Inverno em João Pessoa, na Paraíba, nesses últimos já atuando como artista, cantor e animador.


TRABALHO PROFISSIONAL

Antes de 1988, quando passou a viver profissionalmente como Poeta e Cantor, Zé Vicente, além de lavrador, trabalhou como professor municipal em Orós, como Técnico em Orientação Comunitária, compondo uma Equipe de Coordenação de um Projeto para construção de 450 casas populares em regime de mutirão em Iguatu-Ceará, após as grandes enchentes de 1974.
Trabalhou, oito anos,como Agente de Pastoral, na Diocese de Crateús, nas áreas de Comunidades Eclesiais de Base, Pastoral da Terra e Radialista, produzindo e apresentando programas nas emissoras locais, com a Equipe de Comunicação da Diocese. Nessas área de Comunicação, Zé Vicente, foi criador, juntamente com outras pessoas, de dois Boletins Populares: “CONSTRUÇÃO” em Iguatu e “O ROCEIRO” em Crateús, este, ainda em circulação.
Hoje, a música e a poesia, através de Shows e Oficinas realizadas por todo o Brasil e em alguns países do exterior como a Nicarágua (em 1989), Itália (em 1992), África do Sul(em 2001) é a ação permanente, mas nem por isso, exclusiva na vida de Zé Vicente. Cada vez que retorna das viagens , está lá, na roça onde nasceu, na sua horta, revolvendo a terra-mãe, produzindo cartões ecológicos e animando os parentes e vizinhos para se organizarem, e buscarem juntos novas relações com a natureza e com os outros. Cultivando frutos e poesia, música e novas alternativas de vida.

CARREIRA ARTÍSTICA

A poesia está presente na vida de Zé Vicente desde criança, quando a família, cultivava o costume de recitação de Romances inteiros de Cordel, nas sombras das árvores, em baixo das latadas. Alguns tios e o próprio pai, decoravam partes ou textos integrais dos livretos de Cordel que eram recitados com vibração e graça à luz de lamparinas e de fogueiras.
Na Escola, desde cedo, Zé começou a participar das datas comemorativas, recitando poesias.

Por volta de 1975 a 1979, começou a compor versos. Alguns chegaram a ser publicados:

 “Carta aos Brasileiros”-1978, baseado no documento, coordenado pelo jurista Gofredo da Silva Teles, lançado em São Paulo, exigindo a volta da democracia ao país.

 “Os Direitos das Crianças”- em l979, no ano internacional da criança, publicado pela Editora Vozes.

 “Frei Titto e o Dragão”- em l988, a biografia de Frei Tito de Alencar morto em conseqüência das torturas sofridas ao ser preso junto com outros companheiros dominicanos; publicado pelo CEPE, Centro Frei Tito, em São Paulo.

 “Recado Nordestino”- em 1990, sobre a seca e o uso da mesma por grupos políticos corruptos.

“História do 1º.de Maio”- em l982, contando em cordel o histórico referente a data.

“A Saga do vô Manuel e Mãe das Dores” em l997 e 2001 – narrando em versos as histórias de seus avós paternos, pôr ocasião do centenários de nascimento dos mesmos.
“José de Nazaré” – 2002, para comemorar os 50 anos da devoção ao santo padroeiro da família, que ainda hoje festeja na casa da mãe do Zé, todo o mês de março.
E vários outros poemas.
Na música, Zé Vicente começou a compor e divulgar a partir de 1982, quando morava em Crateús –CE. Desde então gravou:

“Canto das Comunidades”. K-7 com cantos das CEBs.

Músicas: “Baião das Comunidades”, e “Quero ver
Acontecer” gravadas em disco por Paulinas-COMEP.

“Caminhos da América”. Pela Verbo Filmes – SP.

“Festa dos Pequenos”. COMEP, Paulinas.

“Em Canto”. Em K-7. Depois reproduzido em
disco pela COMEP em 1992 – em CD

“Sempre Vida”. COMEP, Paulinas.

“Acorde América”. K-7. Trabalho em sintonia com os
500 anos de colonização da América.

“ZÉ VICENTE, PRESENTE”. Pela COMEP. Disco, CD , K-7.

“PRESENTE, en español”. COMEP.CD


“NÓS”. K-7. Por ocasião da Turnê “Excluídos e
Excludentes” do MARCA, na Itália. MD STUDIO-Ce.

“Sol e Sonho”. CD- música-popular. COMEP.


“Nas horas de Deus, amém”. CD. Benditos populares

“Zé Vicente, Nativo” CD –Paulinas-COMEP

“Tempos Urgentes”- Livro com CD, de poemas. Paulinas.

“CANTAR”- CD para UNICEF, Ceará, canta e dirige a arte.

“Guassussê, Canto da Memória”- compondo oito músicas.

“Dádivas”- CD Celebrativo- Paulinas-COMEP (solo)
Além da produção e dos shows, Zé Vicente assessora Oficinas de Arte-Vida, com dinâmicas para sensibilização e capacitação de novos artistas e é um dos membros fundadores do MARCA – Movimento de Artistas da Caminhada, que reúne cerca de 200 (duzentos) artistas de várias modalidades da arte, em vários Estados do Brasil, desde l990.

Cantar com profunda convicção a fé que dá razão a esperança, a solidariedade, a liberdade, a vida, paz, a festa!

Fortaleza-CE, 2004

2 comentários:

Ronildo disse...

Eu sou muito fã do Zé vicente. gosto das suas musicas e poesias. e o meu maior somhor é conhecer-lo.
e realizar um dos seus show em minha diocese...sul do Pará. Ronildo coor. diocesano da Pastoral da juventude.

Cláudio disse...

Desde a década de oitenta passei a ser um grande admirador do trabalho de Zé Vicente como cantor e compositor, pois não conheço seus poemas. Nas minhas idas a Belém sempre procuro seus lançamentos, principalmnete de um DVD que espero não demore.
Sou Cláudio Chagas de Vila Maú - Marapanim - Pará.