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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Festa junina na escola e qualidade na educação

EdQue
Crianças da EC 18 de Taguatinga dançam com os pais e as mães.
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EdQue · Brasília, DF
1/7/2007 · 272 · 21
Há alguns dias participei da festa junina da escola pública onde meu filho estuda. Além dos tradicionais doces e bolos de milho, a festa agradou pelo aspecto cênico. O ponto alto foram as apresentações da meninada, preparadas previamente pelas professoras. As mestras, aliás, estavam todas lindamente vestidas de caipira. A terceira série apresentou uma coreografia para a música “Coração bobo”, do Alceu Valença. Meu coração zabumbou dentro do peito, como costuma acontecer nessas ocasiões. Noutra apresentação, as crianças da quarta série dançaram quadrilha junto com os pais e as mães. Foi muito bonito e mostrou a capacidade de organização das professoras, que conseguiram ensaiar pais e mães normalmente com agendas incompatíveis em virtude do trabalho. A festa foi emocionante e despertou em mim idéias sobre cultura, educação e sobre o papel da escola.

Estamos vivendo um momento em que o debate sobre educação, começa a ganhar espaço na mídia e na agenda da cidadania. Fala-se muito de cotas, necessidade de mais recursos financeiros e principalmente da baixa qualidade do ensino público. Em geral, pouco se diz sobre a necessidade da arte na escola. A visão de qualidade que está imperando nessas discussões é instrumental. As crianças têm de dominar determinado conhecimento para o país ter bons trabalhadores, profissionais liberais, empresários...Um dia descobrimos que nossos alunos queimaram um índio, espancaram uma mulher negra e não sabemos o motivo.

E olha que os documentos oficiais da educação brasileira falam em trabalhar com os jovens a “estética da sensibilidade”. Mas como tem sido difícil para as escolas fazerem isso! Refiro-me aqui apenas àquelas que tentam, pois muitas sequer cumprem o papel de transmissão de conhecimento, que dirá de sensibilizar. Felizmente, há muitos professores tentando formar mentes livres por meio da arte, do esporte, da literatura.

Sensibilizar por meio da educação hoje não é fácil. É nadar contra a correnteza. É ensinar a gostar dos sabores da comida brasileira, ao invés de levar o fast food para a lanchonete da escola. É cantar e dançar Alceu Valença e deixar É o Tchan fora da sala de aula. É mostrar um filme brasileiro para as crianças, ao invés de render-se ao bombardeio midiático do Homem Aranha.

Educar, afinal de contas, exige conhecimento, paixão e muito esforço, pois muitas vezes há resistência. Nem tudo se aprende com prazer, mas é possível aprender muita coisa prazeroza. A festa junina me fez, mais uma vez, constatar isso. Sei que a festa não acabou ali. Depois vêm as redações, as discussões sobre as apresentações. Tem até o Vale a Pena Ver de Novo, quando as coreografias são reapresentadas durante a semana para que os pais possam ir revê-las. Acima de tudo, existe a certeza de que as crianças nunca vão esquecer aquele momento, como eu nunca esqueci a primeira vez que dancei quadrilha na escola. O nome da menina que dançou comigo era Ana Paula...

Então, é preciso recolocar o debate sobre qualidade na educação. Além de jovens preparados para passar no vestibular, precisamos de homens e mulheres capazes de conviver, de pensar, de se emocionar e, ainda, que saibam selecionar. Afinal, informação é o que não falta. A grande tarefa da escola hoje não é empurrar mais conteúdo, e sim ensinar a escolher qual conteúdo, ou, melhor ainda, levar as crianças a produzirem conteúdo.

Sabemos que isso é uma tarefa árdua. Quando o mercado oferece tudo, como ensinar a optar? Quando a indústria do entretenimento invade as casas com toda sorte de lixo, como ensinar a gostar de poesia? Só vai conseguir ter sucesso nessa empreitada quem evitar o lugar comum. A Escola Classe 18 de Taguatinga (DF) não deixou a festa junina cair no trivial. Mostrou que é possível fazer educação de qualidade com beleza, poesia, muita animação e sem lixo “cultural”, é claro.


VAMOS DANÇAR QUADRILHA !

acervo da Ação Cultural
A dança aproximando gerações (filha e pai no primeiro plano)

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
22/4/2011 · 10 · 14
"Não me convidem para certas festas pobres". Essa frase, baseado no primeiro verso da música Brasil do Cazuza, foi citada por mim em um dos momentos em que estive realizando o trabalho de divulgação da oficina de quadrilha junina em uma emissora de rádio em Aracaju.

Este tipo de “pobreza” a que me referi, não diz respeito as condições econômicas, porque em alguns casos, alguma festas juninas “pobres” até dispõem de uma boa estrutura material, fartura de comes e bebes e grandes atrações artísticas.

A questão fundamental a que me refiro é que a alegria e o calor humano espontâneo, sem depender do álcool e de outras substâncias químicas, e a criatividade em especial, são fatores imprescindíveis para o enriquecimento estético, afetivo e ético de nossas existências.

Por exemplo, se fizermos um exercício de memória dificilmente nos lembraremos de uma festa junina da atualidade em que o cenário e adereços não sejam baseados no mesmo padrão de outras, como as bandeirolas de plásticos e réplicas de balões de cartolina, algumas comidas típicas misturadas com cachorro quente, churrasco e sanduíche, refrigerante e cerveja, a bebida que ocupa o lugar do velho e bom licor e do quentão e outras padronizações ou descaracterizações mais.

Por isso, a relevância da oficina de quadrilha junina realizada sob a chancela da ong Ação Cultural, no dia 17 de abril, na comunidade bom pastor, em Aracaju. Ué! Oficina de quadrilha junina foi esta a indagação de um dos radialistas, e então respondi: Com o processo de urbanização acelerada ocorrido no Brasil nos últimos anos e com a falta de percepção dos cursos de formação de professores, de psicólogos, serviço social e áreas afins, com relação ao potencial educativo, estético, lúdico e terapêutico da nossa cultura popular, faz-se necessário um trabalho como este.

E a avaliação dos participantes ao final da oficina, confirmou o que dissemos acima. A maioria dos presentes, estudantes e profissionais das áreas da educação, psicologia, terapias holisticas e comunicação revelaram ter tido contato com a quadrilha tradicional, somente em escolas, nos tempos da infância e pré-adolescência.

Também demonstraram muito contentamento em poder se reportar a este tempo, através do movimento corporal e da música, como por terem se conectado aos antepassados através dessa experiência lúdica e social muito presente nas vidas deles, por ocasião das festas de junho.

Outros três depoimentos que deixou a coordenação da oficina bastante satisfeitos, foi de uma participante que disse ter se inscrito na oficina para sentir alguns momentos de alegria, e isso ficou confirmado pelo brilho nos olhos dela ao final do dia.

Já outra participante, “quadrilheira dos nossos tempos” e integrante dos quadros da quadrilha Asa Branca, disse que há muito tempo não dançava quadrilha no estilo das antigas e se sentiu muito feliz em fazer esta viagem ao passado.

O outro depoimento refere-se a uma pessoa que tinha ficado chateado por ter um curso, cuja data marcada, foi a semana de São João, “nem precisa dizer que o local é a região sudeste, onde os festejos juninos não tem a mesma força cultural que tem aqui em nossa região” e ele, “só pra contrariar” e na base “d’eu vou mostrar pra vocês como é bom dançar quadrilha” estava programando a organização de uma quadrilha junina tradicional, só não sabia antes como fazer, pois a sua aprendizagem com dança, se deu com relação ao estilo flamenco e circulares.

Quem não pode participar confira o que dissemos acima, participando do baile de danças circulares nordestinas, no dia 28 de maio, a partir das 19h30, na comunidade bom pastor. Na ocasião será aplicado o que foi aprendido nesta oficina e em outras promovidas pela Ação Cultural desde 2005.

Por último, vale a pena replicar a idéia da oficina de danças populares em outros locais, não trata-se de formar dançarinos/bailarinos, mas trazer a dança como um componente permanente de nossas vidas, como era no principio e deva ser agora e para sempre.

Assim com nem todos que aprendem a ler e a escrever necessitam tornar-se escritores, assim também nem todos que participam dessas oficinas precisam tornar-se dançarinos.

Por isso, venham todos dançar !

MAIS:

Conexão Futura 06/04/11 Entrada 3
Assunto: Cultura Popular -- Festas Juninas
Por tel: Zezito de Oliveira - Educador cultural -- Aracaju/SE

Reportagem exibida no Canal Futura. Saiba mais. AQUI


quadrilha tradicional - projeto ciranda - UCB
no you tube.


O Gonzagão em noites de gala

Quadrilha Junina - Patrimônio Cultural Imaterial


Nossos agradecimentos as seguintes instituições e pessoas:

Overmundo, a divulgação através do portal viabilizou o primeiro contato do canal futura.

Comunidade Bom Pastor, sempre abrindo as portas para as oficinas, encontros mensais e bailes de danças circulares, desde o ano de 2005.

Fundação Aperipê, (rádio e televisão) pelos spots e abertura nos programas de rádio (nação nordestina, ritmo da história, encontro com o AA, linha sertaneja e aquarela nordestina)

Rádio Cultura – através do espaço aberto nos programas giro da noticia e linha direta.

Canal Futura, através do espaço aberto no programa conexão futura.

Maxivel Ferreira, responsável pela criação do cartaz e produtor do evento, juntamente com este escriba.

Giovane Reis (mestre/ marcador/oficineiro) por ter aceitado o convite de compartilhar conhecimentos.

Ronaldo Lima, parceiro voluntário e de longa data da Ação Cultural no campo do audiovisual e fotografia. (mais adiante disponibilizaremos imagens em vídeo)

Carlos Barbalho (comunidade bom pastor), Thiago Paulino (jornalista), Hora Reis (funcionário público), Milton Coelho (funcionário publico) e a todos (as) que contribuíram com a divulgação do evento e por último a Indira Amaral, diretora da Fundação Aperipê que desde o inicio deste ano, acatou o nosso pedido de parceria para a divulgação das rodas de danças da Ação Cultural e que se despede dos sergipanos para alçar outros vôos no campo do audiovisual em outro estado (Rio de Janeiro). Confira, aqui, reportagem da TV Aperipê sobre a oficina de danças circulares realizada em janeiro de 2011.

E um agradecimento especial a todos (as) que estiveram presentes, acolhendo o convite para que tenhamos mais vida e vida em plenitude.

imagens clique para ampliar

cartaz de divulgação da oficina zoom
cartaz de divulgação da oficina
cena da oficina 02 zoom
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Creative Commons
alguns direitos reservados


OFICINA DE QUADRILHA JUNINA DAS “ANTIGAS”

17/4 · Aracaju, SE
Caravana Arcoiris
Apresentação de quadrilha junina na III Noite Cultural - Gonzagão (2007)
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Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
19/3/2011 · 2 · 8
No tempo em que a maioria da população brasileira morava no campo, as pessoas organizavam quadrilhas juninas para fortalecer o convívio social, com a dança popular funcionando como um potente canal de inserção de um número grande de indivíduos nestes processos de socialização e coesão social.

Nos dias de hoje, um grupo de pessoas se preparam com coreografias, cada vez mais complexas e estilizadas, para se apresentarem para um grupo de espectadores, pessoas que apenas veem, mas não participam da “brincadeira”.

Mesmo assim, há um grupo grande de pessoas que desejam celebrar o São João de forma mais comunitária, com alegria e participação de mais gente na folia, como no tempo das “antigas”.

É por este motivo que a Ong Ação Cultural estará organizando a Oficina de Quadrilha Junina Tradicional em 17 de abril , tendo como objetivo preparar focalizadores de danças circulares, educadores, arte-educadores, profissionais da área social e da saúde e ativistas sociais para marcar quadrilhas “improvisadas” ou “caipiras” em seus espaços de atuação.

Esta iniciativa está inserida em torno de um movimento oriundo da Inglaterra e que chegou ao Brasil (São Paulo) no inicio da década de 80, ao nordeste (Recife) no final da década de 90 e, finalmente, em Aracaju, no inicio do ano 2000.

As suas origens se devem à iniciativa do alemão Bernhard Wosien, bailarino e pedagogo da dança, que no decorrer dos anos sessenta do século XX, iniciou o registro e a difusão de muitas danças folclóricas e étnicas da Europa Central e Oriental, incluindo depois regiões de outros continentes.

Wosien fez isso ao perceber que o acelerado processo de urbanização estava ocasionando a perda do patrimônio cultural dançante das gerações mais antigas e, como consequência, a perda das práticas comunitárias de dança popular.

Nas observações sobre os efeitos proporcionados pela prática da dança de roda em comunidades tradicionais, Wosien percebeu, de um lado, o fortalecimento dos laços identitários e sentido de pertencimento e, do outro, o estado de alegria e paz.

Com isso, ele passou a considerar as danças populares como um importante canal de re(vitalização), de interação e coesão social, bastante necessário para as populações residentes nas cidades, as quais se deparam com sérios problemas decorrentes da perda dessa tradição.


Resumo biográfico do oficineiro

Giovane Reis da Silva, 47 anos. Atua como marcador de quadrilha junina há 30 anos, tendo começado na Apaga a Fogueira, prosseguindo na Arrasta Pé, Pisa Milho, Xodó da Vila, Pula Fogueira e por último na quadrilha junina Asa Branca (Conj. A Franco), onde se encontra atualmente. Foi campeão em concursos na rua de São João, centro de criatividade, tri campeão no concurso do bairro 18 de Forte, bi campeão no bairro Agamenon Magalhães e vice campeão em concurso promovido pela Sociedade Comunitária do bairro Siqueira Campos.
No ano de 2008 marcou uma quadrilha infantil em escola particular no conjunto Augusto Franco.
Representou Sergipe em concursos de quadrilhas juninas nas cidades de Recife, Salvador e Maceió.
Participou no ano 2000, de um seminário de formação para marcadores e coreógrafos promovido pela Liga Sergipana de Quadrilhas Juninas.

Quer a presença da Caravana Luiz Gonzaga em sua escola, empresa, orgão público ou organização não governamental?




Roda de quadriha improvisada no IFS - Foto: Alejandro Zambrana

Acima: Professor José Augusto - foto: Alejandro Zambrana
Abaixo: Exposição Fotográfica - foto: Zezito de Oliveira





Exposição de fotos, exibição de documentário sobre a Caravana Luiz Gonzaga Vai à Escola  e apresentação de coreográfias inspiradas em músicas de Luiz Gonzaga estão  a disposição de escolas da rede pública de ensino, durante os meses de maio e junho .

As escolas públicas interessadas em contar com a participação parcial da Caravana Luiz Gonzaga Vai à Escola, poderão entrar em contato com o  produtor executivo da iniciativa, Zezito de Oliveira, para combinar detalhes acerca das condições para o transporte de material, lanche  e pagamento de diárias para 2 adolescentes  que fazem a assistência a  produção.  

As escolas particulares, orgãos públicos, empresas  e organizações não governamentais,   além destas condições, deverão arcar com uma pequena ajuda financeira ou em material, sem valor pré definido,  voltada para o investimento no  trabalho sócio-educativo da Ação Cultural desenvolvido com crianças,  adolescentes e mães no Conjunto Jardim através de oficinas artisticas, reuniões , exibição de filmes e passeios culturais.

e-mail: zezitodeoliveira@gmail.com e 8864-5927 e 8117-2290
Para saber mais sobre a Caravana Luiz Gonzaga, clique AQUI AQUI
Quem quiser a presença completa da Caravana com  palestra, seleção de documentários e o trio de pé de serra, além dos itens citados no inicio deste informe,  deve entrar em contato com o produtor Zezito de Oliveira para acertar detalhes sobre o custo financeiro total.

Leia também: Festa junina na escola e qualidade na educação. AQUI

foto: Divulgação
 

Acima: Joaquim Antônio (Casaca de Couro)
Abaixo: Meninas da Oficina de Dança do Ponto de Cultura: Juventude e Cidadania.
 foto_ Marco Vieira

 

 

 

 

 

 

OLHA O CAMINHO DA ROÇA!

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Pedro Vianna · Belém, PA
17/6/2007 · 325 · 18
A dança de quadrilha teve origem na Inglaterra, por volta dos séculos XIII e XIV. A guerra dos Cem Anos serviu para promover uma certa troca cultural entre Inglaterra e França. Com isso França adotou a quadrilha e levou-a para os palácios, tornando-a assim uma dança nobre. Rapidamente a quadrilha se espalhou por toda a Europa, tornando-se uma dança presente em todas as festividades da nobreza. Originalmente, em sua forma francesa, a quadrilha era dançada em cinco partes, em compassos que variavam de 6/8 a 2/4, dependendo da parte que estava sendo dançada, terminando sempre em um galope, que normalmente atravessava-se o salão.

A quadrilha não só se popularizou, como apareceram várias derivações suas no interior. Assim a Quadrilha Caipira, no interior paulista (e Minas), o baile sifilítico na Bahia e Goiás, a saruê (deturpação de soirée) no Brasil Central e, porventura a mais interessante dentre todas elas, a mana chica e suas variantes. Várias danças do fandango usam-se com marcação de quadrilha, da mesma forma que o pericón e outros bailes guascas da campanha no Rio Grande do Sul.

É intrigante o fato de uma dança nascida no meio do povo seis ou sete séculos atrás, voltar ao povo, em outro país, mas conservando a mesma função antropológica, social e cultural. A Guerrra dos Cem Anos acabaria levando a "country dance para a França. Lá, a palavra se afrancesou, transformou-se em contredance , uma dança em que os pares executam a coreografia, frente à frente, ou "vis-a-vis". A "contredance" se aportuguesou como "contradança" e quadrilha, mas com a formação de pares em alas apostas; a palavra é provavelmente derivada da "country dance" inglesa.

Em dois séculos, a contradança perdeu aquela característica camponesa para tornar-se uma dança nobre, conquistando a corte francesa etodas as cortes européias, incluindo a portuguesa. Chegou-se ao ponto de, no século 18, ela ter sido a grande dança protocolar, de abertura dos bailes da corte. A medida que foi se popularizando, principalmente no Brasil e Portugal, o nome quadrilha' foi começando a ser usado, seguindo, aliás,uma terminologia utilizada na Espanha e na Itália, onde identificava a contradança, dançada por quatro pessoas. Desta"quadrilha de quatro derivou a "quadrilha geral .

A quadrilha chegou ao Brasil no século XIX, com a vinda da Corte Real portuguesa. Rapidamente essa dança de salão, típica da nobreza, caiu nas graças do nosso povo animado e festeiro. É importante lembrar que a quadrilha é uma dança característica dos caipiras, pessoas que moram na roça e têm costumes muito pitorescos. Em 1952 foram apresentadas, simultaneamente, 20 quadrilhas pelo "Baile do Poço" o que demonstrava o quanto este gênero era apreciado aqui no Brasil. Os compositores brasileiros tomaram gosto pelo gênero e hoje em dia as quadrilhas possuem características bem nacionais.

A quadrilha é dançada em homenagem aos santos juninos (Santo Antônio, São João e São Pedro) e para agradecer as boas colheitas na roça. Tal festejo é importante, pois o homem do campo é muito religioso, devoto e respeitoso a Deus. Dançar, comemorar e agradecer. Em quase todo o Brasil, a quadrilha é dançada por um número par de casais e a quantidade de participantes da dança é determinada pelo tamanho do espaço que se tem para dançar. A quadrilha é comandada por um marcador, que orienta os casais, usando palavras afrancesadas e portuguesas. Existem diversas marcações para uma quadrilha e, a cada ano, vão surgindo novos comandos, baseados nos acontecimentos nacionais e na criatividade dos grupos e marcadores.

BALANCÊ (balancer) - Balançar o corpo no ritmo da música, marcando o passo, sem sair do lugar.
E usado como um grito de incentivo e é repetido quase todas as vezes que termina um passo. Quando um comando é dado só
para os cavalheiros, as damas permanecem no BALANCË. E vice-versa,

ANAVAN (en avant) - Avante, caminhar balançando os braços.

RETURNÊ (returner) - Voltar aos seus lugares.

TUR (tour) - Dar uma volta: Com a mão direita, o cavalheiro abraça a cintura da dama. Ela coloca o braço esquerdo no ombro dele e dão um giro completo para a direita.

Para acontecer a Dança é preciso seguir os seguintes Passos:

01. Forma-se uma fileira de damas e outra de cavalheiros. Uma, diante da outra, separadas por uma distância de 2,5m. Cada
cavalheiro fica exatamente em frente à sua dama. Começa a música. BALANCÊ é o primeiro comando.

02. CUMPRIMENTO ÀS DAMAS OU "CAVALHEIROS CUMPRIMENTAR DAMAS"
Os cavalheiros, balançando o corpo, caminham até as damas e cada um cumprimenta a sua parceira, com mesura, quase se ajoelhando em frente a ela.

03. CUMPRIMENTO AOS CAVALHEIROS OU "DAMAS CUMPRIMENTAR CAVALHEIROS"
As damas, balançando o corpo, caminham até aos cavalheiros e cada uma cumprimenta o seu parceiro, com mesura, levantando levemente a barra da saia.

04. DAMAS E CAVALHEIROS TROCAR DE LADO
Os cavalheiros, de mãos dados, dirigem-se para o centro. As damas fazem o mesmo. Ao se aproximarem, todos se soltam.
Com os braços levantados, giram pela direita. Soltam-se as mãos, dirigem-se ao lado oposto. Os cavalheiros, de mãos dados, vão para o lugar antes ocupado pelas damas. E vice-versa,

05. PRIMEIRAS MARCAS AO CENTRO
Antes do início da quadrilha, os pares são marcados pelo no. 1 ou 2. Ao comando "Primeiras marcas ao centro , apenas os
pares de vão ao centro, cumprimentam-se, voltam, os outros fazem o "passo no lugar . Estando no centro, ao ouvir o marcador
pedir balanceio ou giro, executar com o par da fileira oposta. Ouvindo "aos seus lugares , os pares de no. 1 voltam à posição anterior. Ao comando de "Segundas marcas ao centro , os pares de no. 2 fazem o mesmo.

06. GRANDE PASSEIO
As filas giram pela direita, se emendam em um grande círculo. Cada cavalheiro dá a mão direita à sua parceira. Os casais passeiam em um grande círculo, balançando os braços soltos para baixo, no ritmo da música.

07. TROCAR DE DAMA
Cavalheiros à frente, ao lado da dama seguinte. O comando é repetido até que cada cavalheiro tenha passado por todas as damas e retornado para a sua parceira.

08. TROCAR DE CAVALHEIRO
O mesmo procedimento. Cada dama vai passar portadas os cavalheiros até ficar ao lado do seu parceiro.

09. O TÚNEL
Os casais, de mãos dados, vão andando em fila. Pára o casal da frente, levanta os braços, voltados para dentro, formando um arco. O segundo casal passa por baixo e levanta os braços em arco. O terceiro casal passa pelos dois e faz o mesmo. O procedimento se repete até que todos tenham passado pela ponte.

10. ANAVAN TUR
A doma e o cavalheiro dançam como no Tour(passeio em iportuguês). Após uma volta, a dama passa a dançar com o cavalheiro da frente. O comando é repetido até que cada dama tenha dançado com todos os cavalheiros e alcançado o seu parceiro.


11. CAMINHO DA ROÇA
Damas e cavalheiros formam uma só fila. Cada dama à frente do seu parceiro. Seguem na caminhada, braços livres,balançando. Fazem o BALANCË, andando sempre para a direita.


12. OLHA A COBRA
Damas e cavalheiros, que estavam andando para a direita, voltam-se e caminham em sentido contrário, evitando o perigo.
Vários comandos são usados para este passo: "Olha a chuva , "Olha a inflação , Olha o assalto , "Olha o (cita-se o nome de um político impopular na região). A fileira deve ir deslizando como uma cobra pelo chão.

13. É MENTIRA
Damas e cavalheiros voltam a caminhar para a direita. Já passou o perigo. Era alarme falso.

14. CARACOL
Damas e cavalheiros estão em uma única fileira. Ao ouvir o comando, o primeiro da fila começa a enrolar a fileira, como um caracol.

15. DESVIAR
É o palavra-chave para que o guia procure executar o caracol, ao contrário, até todos estarem em linha reta.

16. A GRANDE RODA
A fila é único agora, saindo do caracol. Forma-se uma roda que se movimenta, sempre de mãos dados, à direita e à esquerdo como for pedido. Neste passo, temos evoluções. Ouvindo "Duas rodas, damas para o centro ; as mulheres vão ao centro, dão as mãos.
Na marcação "Duas rodas, cavalheiros para dentro , acontece o inverso, As rodas obedecem ao comando,movimentando para a direita ou para esquerda. Se o pedido for "Damas à esquerda e "Cavalheiros à direita ou vice-versa, uma roda se desloca em sentido contrário à outra, seguindo o comando.

17. COROAR DAMAS
Volta-se à formação inicial das duas rodas, ficando as damos ao centro. Os cavalheiros, de mãos dados, erguem os braços sobre as cabeças das damas. Abaixam os braços, então, de mãos dados, enlaçando as damas pela cintura. Nesta posição, se deslocam para o lado que o marcador pedir.

18. COROAR CAVALHEIROS
Os cavalheiros erguem os braços e, ao abaixar, soltam as mãos. Passam a manter os braços balançando, junto ao corpo. São as damas agora, que erguem os braços, de mãos dados, sobre a cabeça dos cavalheiros. Abaixam os braços, com as mãos dados, enlaçando os cavalheiros pela cintura. Se deslocam para o lado que o marcador pedir.

19. DUAS RODAS
As damas levantam os braços, abaixando em seguida. Continuam de mãos dados, sem enlaçar os cavalheiros, mantendo a roda. A roda dos cavalheiros é também mantida. São novamente duas rodas, movimentando, os duos, no mesmo sentido ou não, segundo o comando. Até a contra-ordem!

20. REFORMAR A GRANDE RODA
Os cavalheiros caminham de costas, se colocando entre os damas. Todos se dão as mãos. A roda gira para a direita ou para a esquerda, segundo o comando.

21. DESPEDIDA
De um ponto escolhido da roda os pares se formam novamente, Em fila, saem no GALOPE, acenando para o público. A quadrilha está terminada. Nas Festas Juninas Mineiras, após o encerramento da quadrilha, os músicos continuam tocando e o espaço é liberado para os casais que queiram dançar.

quarta-feira, 15 de junho de 2011


Ciclo junino em Sergipe : decadência ou revitalização?

José Paulino da Silva – Doutor em Filosofia e História da Educação
O Centro de Criatividade, visando comemorar o aniversário de 26 anos de fundação promoveu no dia 10 próximo passado, um fórum junino com o objetivo de discutir a “Contribuição dos festejos juninos para a formação da Identidade Cultural Sergipana”. Convidado para ser um dos provocadores deste tema, aceitei por acreditar que esta discussão mantém acesa a chama da defesa da cultura popular brasileira da qual o ciclo junino é um segmento. E por entender também que a melhor forma de manter a identidade cultural de um povo é oportunizar-lhe meios para que possa continuar a expressar-se produzindo cultura e (usu)fruindo da produção cultural. A identidade de um povo é uma realidade dinâmica em constante elaboração. Ao longo do processo de sua construção algumas características vão perdendo sua força, outras se acentuam. Ao interagir com outras culturas, os povos e segmentos populares reelaboram sua própria produção simbólica. Entre as instituições que exercem influência cultural, citamos o poder político e econômico representados , entre outros, por agentes públicos e meios de comunicação. Mas é a própria população que deve assumir-se como protagonista de sua vida incluindo sua cultura.
Para nós sergipanos, o ciclo junino é um período denso de significado. Seu traço mais marcante é a celebração da festividade através da dança e da música como momento de participação efetiva do povo. Como afirmei em outra oportunidade, “a festividade se apóia em memória e crenças comuns, alimenta esperanças coletivas, celebra a vida, favorece a gratuidade do criar, o compartilhar desinteressado, o reencontro com a alegria de viver e do conviver que reconcilia o homem consigo, como os outros, com o cosmos, lembrando-o que a felicidade é direito e meta de todos”(CD Vozes e Toques Sergipanos).
Megashows x celebração festiva
Sem querer ser pessimista, nem muito menos saudosista, tenho constatado que o ciclo junino em Sergipe, está perdendo o sentido de celebração, de efetiva participação da população. Basta verificar o que ocorre com a música e a dança, duas expressões mais representativas deste ciclo. Tem sido crescente a sua desvalorização causada pela ganância dos grupos que comandam a indústria cultural dos mega-shows e pela permanente ausência de uma política pública comprometida com os valores da cultura popular. A união destes dois fatores negativos tem causado desgaste, prejuízo e humilhação a artistas deste ciclo e, sobretudo, tem privado o povo do prazer da dança, da alegria do brincar. Os mega-shows musicais que primam pela espetacularização, são vendidos como entretenimentos a uma platéia de consumidores que já não dançam nem cantam, mas são expectadores da exibição do que acontece no palco’.
A transformação de Aracaju num grande pólo dos festejos juninos com dois grandes espaços, um situado no mercado municipal e outro na orla da Atalaia, tem prejudicado sensivelmente os demais bairros e as cidades que integram a grande Aracaju. Em pouco tempo o pólo denominado de Forró Caju do mercado municipal apagou literalmente as fogueiras da tradicional rua São João bem como o brilho dos festejos que se realizavam nas ruas do bairro Santo Antônio.
A programação junina em todo estado tem se tornado repetitiva. Tem acontecido a cada ano, uma homogeneização da programação na qual se priorizam os artistas de fora e as bandas de forró eletrônico, colocando-os nos melhores horários, nos maiores palcos, com maiores cachês, em detrimento dos trios de forró e grupos dos artistas locais.. Como exemplo de desvalorização do artista local, basta olhar a propaganda veiculada nas revistas de circulação nacional e na imprensa local, sobre o Forró Caju: um cartaz com o rosto de vários artistas nordestinos, mas nenhum sergipano! Para enfrentamento desta questão, sem dúvida, desagradável, humilhante, não basta uma legislação que estabeleça critérios justos e transparentes. É necessário vontade política por parte dos gestores públicos e evidentemente, senso ético. Vontade política ligada mais ao fazer do que ao dizer.Vale aqui citar o exemplo que está acontecendo atualmente no Estado da Paraíba. O secretário de Cultura daquele Estado, Chico César decidiu não liberar verbas para as prefeituras contratarem as bandas de “forró de plástico”. A reação a esta sua decisão, diz matéria veiculada na imprensa, foi como “soltar um busca-pé numa sala de reboco lotada.” (Folha de São Paulo. E 4 Ilustrada, Edição de 8 de maio de 2011. RAIZ FORTE). É importante observar que a decisão do secretário Chico César teve total apoio do governador e de outros artistas de renome nacional.
Há quem defenda que esta realidade a que chegou o ciclo junino em Sergipe, seja irreversível, decorrente da dinâmica dos fatos. Afinal a sua espetacularização não tem aumentado o fluxo turístico, inclusive trazendo mais divisas para o comércio local? A concentração dos espetáculos não tem sido uma boa para o marketing das empresas financiadoras e também um excelente palco para maior visibilidade dos políticos, especialmente quando é ano eleitoral? Admitir este raciocínio é concordar que tudo está bom, tudo está bonito. Apatia por parte da sociedade civil, conformismo ou silêncio por parte da maioria dos artistas que se acreditam na condição de nada poder dizer. E é isto o que os grupos que se apropriam dos valores da cultura do povo e os gestores inescrupulosos querem que aconteça.
Será que tudo está perdido?
Acredito que não. Muita coisa pode ser feita. Um ponto de partida é não ficar de braços cruzados, esperando que tudo venha das mãos do poder público, como benesse do líder político. Isto não significa que não se deva exigir do gestor político a responsabilidade de administrar bem as coisas públicas. É importante que a população discuta através de suas associações as possíveis formas para resgatar sua efetiva participação nas manifestações do ciclo junino e estimular o direito à alegria, ao lazer sadio na volta da celebração festiva deste ciclo
Revitalizar o ciclo junino não pode ser entendido como saudosismo ou um simples retorno ao passado. Queremos aqui lembrar que há uma relação dinâmica entre passado, presente e futuro. Entender a relação entre memória e história é uma chave importante para quem quer conhecer a realidade atual e propor ações afirmativas para sua transformação. Lembro um pensamento do filósofo Bergson ”A memória que se atualiza no presente, e que se move do passado em direção ao presente, não se detêm nele; pela própria natureza contínua da duração, ela é portadora do futuro.” A história do ciclo junino, com toda sua plasticidade, toda sua beleza, toda sua riqueza de significados, continua muito viva na memória da população, especialmente dos moradores dos bairros mais populares mais antigos. Como aproveitar este potencial?
Algumas sugestões
O filósofo cubano José Martí dizia que O fazer, é a melhor forma do dizer. ” Creio que o objetivo deste Fórum Junino foi indagar a cada um de nós,(população, gestores públicos, artistas, empresários, mídia) do lugar onde estamos, o que podemos fazer ante a questão do ciclo junino e a identidade sergipana . Eis algumas sugestões:
· A criação de Pólos-Arraiais nos bairros, com infra-estrutura necessária para boas apresentações e dança de forró.
· Estimular os moradores dos conjuntos e condomínios a fazerem seu São João.
· Resgatar e devolver aos moradores das comunidades, os espaços denominados de “Barracões Culturais” que foram construídos com dinheiro público e hoje se encontram abandonados ou invadidos. Fazer circular nestes barracões artistas locais com programação semanal.
· Buscar com a população local, iniciativas que possam reativar, brincadeiras como ‘O Arraial do Arranca Unha’ e revitalização de espaços como, a ‘Rua São João,’ ‘Espaço Cultural o Gonzagão’.
· As danças do ciclo junino (forró, quadrilhas, côco de roda) poderiam se constituir em matéria de ensino nas escolas, e de dinamização nos barracões culturais visando a integração da geração jovem com os valores deste ciclo.
· Apoiar as quadrilhas no sentido de que elas encontrem um equilíbrio entre o tradicional e o contemporâneo (estilização) estimulando-as a manter maior envolvimento com a comunidade, através da realização de um trabalho sócio-educativo junto à juventude, pessoas de terceira idade...sem perder a dimensão de ser uma expressão cultural que devolva ao povo o direito à alegria e do divertir-se coletivamente.
· Mantendo a similaridade com o Festival de Verão, promover sempre no mês de maio um Grande Forró da Juventude, com a participação de jovens sanfoneiros de todo o Brasil, interiorizando este festival nos centros maiores dos oito territórios sergipanos.
· Manter acesa a chama do Fórum de Forró de Aracaju, evitando deixar para última hora as providências necessárias para sua realização.
· Criar uma comissão mista (poder público, sociedade civil, representante dos artistas) para definir critérios transparentes para programação de shows pagos com o dinheiro público.
Como disse antes, cada um a seu modo, pode contribuir para a revitalização do ciclo junino. Esta é uma luta de todos na qual a responsabilidade maior deve ser dos gestores públicos. Esses tem o dever de induzir políticas e destinar recursos a eventos que valorizem os artistas, os espaços e equipamentos relativos a este ciclo para que a população possa expressar sua alegria de viver, celebrando esta festividade como participante efetivo e não como simples espectador. 

Baião nas aulas de música

Luiz Gonzaga influenciou gerações de artistas brasileiros célebres, como mostra a entrevista de Gilberto Gil à revista "BRAVO!". Aproveite e explore com seus alunos o ritmo que o consagrou

Luiz Gonzaga
Objetivos
- Contextualizar a obra de Luiz Gonzaga
- Participar de uma experimentação rítmica sobre o baião

Conteúdos

- Baião
- Percussão corporal

Tempo estimado
Duas aulas

Materiais necessários

- Projetor de imagens

Introdução

No centenário do nascimento de Luiz Gonzaga, sua obra ganha um destaque digno de "rei do baião". Foi com esse ritmo que Gonzagão, como também é conhecido, despontou para o país e o mundo e passou a influenciar de forma definitiva a cultura musical brasileira. Aproveite a reportagem "Eu não existiria sem Gonzagão" (BRAVO!, ed. 184, dezembro de 2012) e apresente aos seus alunos atividades de contextualização histórica e prática musical do baião.

Desenvolvimento
1º etapa
Faça uma pesquisa prévia (algumas fontes são sugeridas logo abaixo, na bibliografia deste plano) e apresente aos estudantes quem foi Luiz Gonzaga. Na reportagem "O baião de Luiz Gonzaga na sala de aula", publicada no site de NOVA ESCOLA você encontra uma breve biografia:
Engana-se quem pensa que o Baião é coisa do passado. Muito pelo contrário, ele segue vivo e influenciando a Música Popular Brasileira até hoje. E como o próprio criador do gênero cantou "Luiz Gonzaga não morreu / Nem a sanfona dele desapareceu". Isso porque desde que foi criado em 1946, sua batida está presente, direta ou indiretamente, em todos os movimentos musicais que surgiram em seguida.
Nascido em 1912, o filho mais ilustre da cidade de Exu, no sertão pernambucano, ganhou o Brasil após conhecer um dos seus mais importantes parceiros: o advogado cearense Humberto Teixeira. É deles a música Baião, que marca o nascimento do gênero: "Eu vou mostrar pra vocês/ Como se dança o baião/ E quem quiser aprender/ É favor prestar atenção". Depois desse manifesto, Gonzaga estourou, vendeu milhares de discos e colocou o nordeste no cenário da MPB.

O Rio de Janeiro era um terreno fértil para a divulgação da música nordestina e do forró nas suas mais diferentes variações como baião, chamego, xaxado, xote e o coco. Nas décadas de 1940 e 1950 o rádio era o meio de comunicação mais popular no País. Além disso, a intensificação do processo de migração que trouxe milhares de nordestinos ao sul e sudeste do país.

Não há dúvidas de que Lua, como Gonzaga também ficou conhecido, é um dos construtores da MPB. "Ele não foi só um instrumentista ou um compositor. Gonzaga definiu um gênero musical e sintetizou como ninguém a cultura nordestina" exalta o jornalista e historiador, Paulo César de Araújo, autor do livro Eu Não Sou Cachorro, Não. Antes dele, outros nordestinos tentaram, mas nenhum conseguiu a projeção nacional de Gonzagão.

Para o sociólogo alemão Norbert Elias, o êxito alcançado por um artista não pode ser atribuído apenas à sua suposta genialidade. O resultado depende de inúmeras variáveis, articuladas entre si, em um determinado contexto social. "O rei do Baião estava no lugar certo, na hora certa", afirma Maria Sulamita de Almeida Vieira, professora da Universidade Federal do Ceará e autora de Luiz Gonzaga, o Sertão em Movimento. (reportagem de Elisângela Fernandes)
Na década de 60, tanto Gonzaga quanto o baião saem do foco da música popular, mas logo florescem novamente na obra de novas gerações de compositores, como aqueles associados ao tropicalismo e aos grandes festivais. Daí a associação com Gilberto Gil, feita pela revista BRAVO!.

2º etapa

Este é o momento para conhecer melhor os instrumentos do baião. Afinal, qual a diferença entre sanfona e acordeão? O que significa "sanfona de 8 baixos" ou "sanfona de 80 baixos"?

Explique à turma que, originalmente, "sanfona" é um instrumento musical cordófono que remonta ao século 11. Instrumento cordófono é aquele em que uma corda esticada é o elemento produtor do som. A sanfona é parecida com um violino, e de fato o som é produzido da mesma forma como no outro instrumento: friccionando-se as cordas esticadas. A diferença é que a melodia, ao invés de dedilhada ou beliscada nas cordas com os dedos, é tocada a partir de um teclado anexo à caixa de ressonância do instrumento, e, ao invés de um arco, o dispositivo que fricciona as cordas é uma roda com uma manivela. Ufa! Depois desta descrição com tantos detalhes, mostre aos alunos uma imagem ou vídeo da sanfona, também chamada de viola de roda. Você pode encontrar as imagens na internet.

Ainda assim, "sanfona" é comumente o termo empregado para se referir a um instrumento completamente diferente, o aerófono "acordeão". Aerófono é aquele instrumento cujo elemento produtor de som é a coluna de ar dentro do instrumento. Nele, há duas caixas de ressonância ligadas por um fole, dispositivo que origina a força produtora do som: a vibração causada pela passagem do ar entre duas palhetas. As palhetas da sanfona, diferentes daquelas empregadas ao se tocar violão ou guitarra, são duas pequenas membranas rígidas que, ao vibrarem, produzem um som de altura específica (isto é, uma nota musical determinada).

Em cada caixa de ressonância há um dispositivo com função diferente: de um lado fica o teclado, como no piano, e do outro, os botões do "baixo". A melodia de uma música é tocada no teclado (ou, em alguns instrumentos, por outro conjunto de botões que fazem as vezes das teclas). Já a harmonia - o acompanhamento da melodia - é feita no outro lado, quando o instrumentista pressiona os botões do "baixo". O som resultante é a sustentação da melodia - em uma banda, este seria o papel do contrabaixo juntamente com a guitarra que toca os acordes.

Desta forma, a primeira sanfona de Gil sai em vantagem em relação à de Gonzaga: a desta tinha 8 baixos, ou seja, oito botões para que se tocasse a base da música. Já a de Gil tem 88 botões, possibilitando uma gama maior de acompanhamentos. Ainda assim, foi com seu fole, pé de bode, concertina, harmônica; enfim, sanfona de 8 botões que Gonzaga fez sucesso.

3º etapa

Há um outro elemento ligado ao baião que você pode destacar em suas aulas: a feira livre, tema da canção "A feira de Caruaru", sucesso composto por Onildo Almeida e gravado por Gonzaga em 1957:



Peça aos alunos que ouçam a música e discuta:
1) Que instrumentos há no arranjo?
2) Qual é o ritmo da canção?
3) De que trata a letra?


Em seguida distribua cópias da letra para todos e destaque que os números marcados se referem a produtos da feira. Ouça novamente a música e solicite que o grupo acompanhe. Prossiga com os questionamentos: quantos e quais destes produtos eles conhecem? Quais poderiam ser encontrados na sua região?

A partir daí, apresente uma pequena descrição da Feira de Caruaru, considerada a maior feira livre do mundo e que existe há mais de 200 anos na cidade de Caruaru, em Pernambuco. O comércio lá é variado: frutas, carnes, ervas, cereais, roupas, animais, ferragens e artesanato, entre outras mercadorias. Duas manifestações culturais significativas aparecem no lugar: a literatura de cordel e as bandas de pífanos. Banda de pífanos é uma formação musical tradicional da música folclórica brasileira, que pode ser ilustrada pelos enfeites de argila comumente produzidos no nordeste do Brasil. O conjunto é formado de pífanos (instrumentos de sopro da família da flauta) e instrumentos de percussão como a caixa, o bombo, o surdo e o tambor.

O aspecto cultural do evento valeu o registro de Bem Cultural Registrado na lista do Patrimônio Imaterial do Brasil pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 2006. Para mais informações, consulte as referências abaixo. O site da feira também vale a visita. Assim que o internauta acessa o portal, ouve a música cantada por Gonzagão indicada neste plano.

Sugira que os adolescentes façam uma pesquisa para conhecer melhor os objetos que aparecem na letra e que são desconhecidos por eles. O resultado deverá ser compartilhado com todos.

4º etapa
Depois da contextualização histórica e do primeiro exemplo de audição, chegou a hora de tocar. Usando percussão corporal, faça uma roda de baião na sala de aula!

Separe a letra de "Asa Branca", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Comece estimulando os alunos a cantarem (ou ouvirem uma gravação) e baterem palmas no ritmo da música:


Explique que uma canção tem dois tipos de ritmo: o ritmo real, aquele das sílabas das palavras, e o pulso, ou seja, o ritmo constante que nos permite "bater o pé" ou dançar acompanhando a canção. Neste caso, vamos bater justamente o ritmo do pulso com palmas.

Provavelmente, o resultado da execução será como no esquema abaixo, em que se representam a letra da música e os momentos em que bate o pulso da canção:
Ritmo do baião 1. Imagem: TiagoMadalozzo
Agora vamos substituir a simples batida de palmas no pulso por outra célula rítmica característica do baião. Trata-se de uma versão reduzida daquilo que é tocado pela zabumba ao fazer o ritmo do baião. A zabumba é um instrumento de membrana que possui duas peles. Em cada uma o som resultante é diferente por conta do tipo de elemento usado na percussão: na pele de cima, é uma baqueta que produz som mais grave; na de baixo, é uma vareta que produz som mais agudo. Em nossa execução, vamos trabalhar igualmente com dois sons: o grave será feito com uma das mãos batendo no peito; e o som mais agudo será executado com uma palma.

Graficamente, o ritmo fica assim:
Ritmo do baião 2. Imagem: TiagoMadalozzo

O que está em verde é o pulso da música. Em laranja estão os toques no peito, e em vermelho, a palma. A contagem em "1, 2, 3" é para evidenciar que cada frase é uma composição de 8 tempos, isto é, 8 sons em sequência, sendo que a duração do ritmo da palma é ligeiramente menor do que o dos toques no peito.

Na prática, procure ouvir uma gravação de baião e acompanhar com as palmas. Experimente! Se tiver dúvidas, acompanhe o início (00:03 a 00:12 segundos) deste vídeo demonstrativo, em que o pulso é feito com batidas do pé.


Uma vez que todos pegarem o ritmo, cantem "Asa Branca". Se preferirem, façam uma sobreposição rítmica: metade da sala pode tocar o pulso da música com os pés, e a outra metade, tocar o baião.

Além de escolher previamente diferentes obras de Luiz Gonzaga para esta etapa, seja cantando em sala ou acompanhando enquanto se escuta, proponha aos alunos um desafio para conclusão das práticas: uma nova célula rítmica mais complexa.

Desta vez, peça uma ampliação, incluindo os outros tempos representados na imagem acima. Para tal, utilizaremos um novo timbre: o dos estalos de dedo. Neste caso, nossa percussão terá três timbres, executados por cinco diferentes movimentos: toque da mão no peito (seja a mão direita ou a esquerda); palma; e estalo (seja de uma ou da outra mão).

A frase é formada por 8 tempos, que podem ser praticados bem lentamente no início, e acelerando. "Dir" se refere à mão direita que produz o estalo ou então bate no peito; "esq" é a mão esquerda. A sequência é:

Peito (dir) - Estalo (esq) - Estalo (dir) - Peito (esq) - Estalo (dir) - Estalo (esq) - Peito (dir) - Estalo (esq)

A sequência, portanto, deve ser tocada sem parar. Na prática, você vai notar que a troca das mãos é natural; o cuidado deve ser com o final, pois são apenas 8 tempos.

Será que a classe consegue cantar e bater o ritmo ao mesmo tempo? Proponha ainda variações: um grupo pode fazer o ritmo, e outro, a célula mais simples enquanto canta. Caso tenha dúvidas, o ritmo proposto para esta etapa está na parte central do vídeo demonstrativo (00:12 a 00:21 segundos).

Por fim, sugira uma substituição nesta sequência para que a frase fique ainda mais complexa, mas sonoramente mais parecida com a zabumba: basta substituir o último toque no peito (sublinhado na sequência acima) por uma palma. Que tal? Se precisar, consulte a parte final do vídeo demonstrativo (00:21 segundos até o final).

Agora é aproveitar o repertório de Gonzagão para colocar em prática as sugestões de ritmos. Seja criativo: mescle sequências, sobreponha-as e comande os grupos.

Vale destacar que as atividades propostas são sugestões para a criação de novas possibilidades de prática musical com os alunos. Por isso, adapte de acordo com o contexto da sua escola, e sempre procure treinar os movimentos antes da aula, bem como separar a maior variedade possível de informações históricas, imagens, áudios e vídeos para que a aula se torne ainda mais dinâmica e interessante musicalmente para os alunos.

Avaliação
A participação dos alunos nas discussões, pesquisas e práticas musicais é a principal medida para avaliação. Deve haver comprometimento dos alunos com as atividades. Além disso, pesquisas complementares e práticas musicais em aulas seguintes podem originar instrumentos de avaliação muito ricos. Lembre-se de que, conforme o pensamento de alguns pedagogos musicais, a avaliação da atuação dos alunos nas práticas musicais é fundamental em aulas de música.
Bibliografia
- Sobre Luiz Gonzaga
LUIZ GONZAGA. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

LUIZ GONZAGA. In: Cliquemusic.

- Sobre o baião
BAIÃO. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

BAIÃO. In: Cliquemusic.

- Sobre a  Feira de Caruaru
GASPAR, Lúcia. Feira de Caruaru. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife, mar. 2010. Disponível na internet. Clique aqui para acessar.

IPHAN. 9. Feira de Caruaru. Principal, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, s d. Disponível no site do IPHAN.
Tiago Madalozzo
Professor de musicalização na Alecrim Dourado Formação Musical, em Curitiba (PR)


domingo, 26 de maio de 2013

Festa junina, só se fizer sentido

Conheça duas experiências de escolas que fazem da festa um momento para ampliar a integração com a comunidade e oferecer novas aprendizagens aos alunos.

Paula Nadal (paula.nadal@fvc.org.br)
Fonte: Site Nova Escola.  AQUI

Festa junina em São Gonçalo do Rio Abaixo. Reprodução
São Gonçalo do Rio Abaixo A festa junina do Centro Educacional
Antes de planejar a festa junina da escola é preciso saber se a comemoração realmente faz sentido para a comunidade escolar. As ações para o dia do evento devem ser programadas com antecedência para que não interfiram negativamente no calendário letivo e todos - alunos, professores, pais e funcionários - têm de ser envolvidos no planejamento.

Para Roberta Panico, especialista em gestão escolar e coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa CEDAC, em São Paulo, é preciso muita atenção para não submeter os alunos a situações de constrangimento - como obrigá-los a dançar ou comparecer fantasiados, sem que entendam o propósito das atividades.

Usar o evento para arrecadar fundos para a escola, seja pela venda de produtos (alimentos, ingressos ou "vales" para as brincadeiras), seja pela promoção de concursos como o "Miss Caipira", bastante comum em alguns estados, é outra ação que tem de passar longe dos objetivos listados pela equipe gestora.

Conheça a seguir experiências de duas escolas que pensaram a festa junina como um bom momento para oferecer novas aprendizagens aos alunos e trazer as famílias para dentro da escola.

Uma festa para unir a comunidade
O Centro Educacional de São Gonçalo do Rio Abaixo, a 84 quilômetros de Belo Horizonte, foi criado há dois anos e tem 410 alunos matriculados no Ensino Fundamental II - 70% deles de comunidades rurais do município. Em 2010, para apresentar a escola aos moradores do entorno e aproximar as famílias, a equipe da diretora Geiza Maciel resolveu promover a festa junina - uma das manifestações culturais mais tradicionais na cidade.

A equipe se reuniu para pensar nos objetivos do evento e nas estratégias adotadas para envolver a comunidade. Uma lista de atividades foi elaborada - organização da estrutura física da escola para a festa, montagem do cardápio e distribuição dos convites. Professores e funcionários candidataram-se à coordenação e realização das funções.

Para não esbarrar em questões religiosas (no Catolicismo, as festas juninas são celebrações dos dias de Santo Antônio, São Pedro e São João), a festa foi planejada somente com foco nas manifestações culturais de São Gonçalo. "A escola é uma instituição laica. Trabalhamos para não conferir qualquer caráter religioso à festa", afirma a diretora. Uma gincana foi organizada envolvendo pais, alunos, professores e funcionários. Cada turma da escola tinha como missão trazer participantes para a festa e preparar números artísticos, desde que não fossem religiosos. Os ensaios aconteciam fora do horário de aulas, de acordo com o combinado entre os membros de cada equipe.

Alguns pais tocaram violão, os alunos mostraram coreografias e ajudaram na decoração, enquanto os professores foram personagens do casamento caipira. O objetivo era que cada turma organizasse apresentações relacionadas às manifestações culturais das comunidades em que vivem - por exemplo, as músicas e a dança das congadas, no caso dos alunos vindos de comunidades quilombolas da região; ou as modas de viola, entoadas por pais e alunos de comunidades rurais. "De forma alguma permitiríamos que a figura do caipira fosse estereotipada. Muitos dos nossos alunos são de comunidades rurais e isso é de uma riqueza cultural enorme", conta Geiza.

O Centro Educacional conseguiu transporte público gratuito para levar os moradores à festa junina. Com apoio da Prefeitura Municipal, cada aluno da escola tinha direito a um "vale-transporte" para quatro pessoas. Na festa, pipoca, caldo de feijão e outros pratos tipicamente juninos, todos preparados pelas merendeiras da escola, foram distribuídos gratuitamente. "A festa aconteceu em um sábado e as funcionárias que trabalharam na sexta à noite foram devidamente remuneradas por isso. Não podemos fazer da festa junina uma fonte de arrecadação de fundos para a escola. É um momento de comemoração e de engajamento da equipe", afirma a diretora.

As barraquinhas foram montadas na área externa da escola, com a ajuda de professores e funcionários e fora do horário de aulas. No fim da festa, todos os participantes - inclusive pais e alunos - colaboraram com a limpeza. Ajudaram a desmontar as barracas e a separar os materiais recicláveis do lixo orgânico.

Para a festa de 2011, a origem e as tradições juninas estão sendo trabalhadas nas aulas de Língua Portuguesa e de História. "Queremos reforçar o caráter laico de nossa festa ao trabalhar com os alunos as diferentes manifestações culturais do período e as origens dessa celebração que, antes de tornar-se uma festa católica, surgiu como uma celebração pagã", explica Geiza.
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